quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Mamando ao Vento...

Em um barco pequeno, tudo fica mais evidente, mais perceptível, mais complexo: é comum a gente ouvir pensamentos do tipo "pega um pequeno, depois vai aumentando aos poucos, até chegar num barco maior".
Com uma bebê, é melhor fazer o contrário. Depois que a Isadora foi muito bem no Guará (28 pés), foi experimentada no Biguá (16 pés), até chegar no barquinho com o nome dela (12 pés).
Com vento de 10/11 nós, rizamos a vela grande por segurança, e navegamos contra o vento, quando o barco aderna bastante. Nesta hora, é que os passageiros estreantes costumam se assustar e pensar: "-vai virar!".
A marujinha adorou o balanço e dormiu mamando, ao som do barulho da água batendo no casco, bem pertinho do seu ouvido, e do vento assobiando na mastreação. E a mamãe, bem tranquila, contemplando sua imersão na natureza, certamente agradecendo a Netuno pelo presente recebido.


Fase I - Ambientação
22-12-15 1700 HMG    27º35'22.00"S    048º26'20.60"W

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Enfim... a condecoração!

Presente de Natal: a insígnia de Mestre-Amador que recebi do meu querido tio Cezar Colvara,
Capitão-de-Corveta da Marinha do Brasil
 

Ho - Ho - Ho ! ! !


Um Feliz Natal, e um Ano Novo repleto de bons ventos!

Isadora, Rita e Thom.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Não é uma fofurinha!?

"A Isadora"
 15º46.14'S   047º50.08'W

Tenho um carinho muito especial por este barco.
Não só porque tem o nome da minha filhinha amada, mas... porque tudo nele é tão simples...
Acho que nada no mundo encanta mais do que a simplicidade.

domingo, 13 de dezembro de 2015

"Mares Verdes

Qual linda garça
Que aí vai cortando os ares
Vai navegando
Sob um belo céu de anil
E minha galera
Também vai cortando os mares;
Os verdes mares
Os mares verdes do Brasil!"

13/12 - Feliz dia do marinheiro!

 

sábado, 12 de dezembro de 2015

Diário de Bordo - 16/10/2015

Dia 4 - Saco do Mamanguá

Amanhecemos no fundo do Saco do Mamanguá. Levantei primeiro, olhei pela vigia e vi que, perto de nós, as águas menos abrigadas estavam encrespadas. Percebi que seria um ótimo dia de treino, antes de partirmos pra travessia até a Ilha Grande.
Tomamos café da manhã, içamos toda a vela grande e subimos a âncora. Pouco navegamos a motor, e logo o sudoeste começou a encher a vela, de vento em popa. Desligamos o motor e a brincadeira começou: o Guará voou na água, e lembrei do lindo pássaro que deu nome ao Barco: uma ave linda, hoje bastante rara, de penas vermelhas, típica das terras tupiniquins na época em que fomos "descobertos".
Subimos o Saco do Mamanguá em poucos minutos, com o Guará literalmente voando baixo. Navegamos em popa, través e orça (contra o vento). Em uma das manobras, quando a vela grande panejou, três slugs (peças plásticas deslizantes que unem a vela ao mastro) quebraram. Um bom problema a ser resolvido.
Pelo nosso planejamento, hoje seria dia de reabastecer o Guará com gelo e água doce, se necessário. Ancoramos perto do "Pão de Açucar", um morro muito parecido com o de mesmo nome, que fica no Rio de Janeiro. Bem perto também do restaurante do Seu Orlando, um pescador muito gentil. Como não gosto de ancorar muito perto de outros barcos, lançamos âncora um pouco mais distante dos outros barcos, e relativamente próximo à costa de pedras.
Eu e meu pai, o Vovô Vande, fomos remando até o restaurante, contra o vento e contra a maré, porque o motor do bote teimou em não funcionar. Como estava com um pequeno vazamento, também levamos a bomba de encher junto. As meninas ficaram no barco. Conhecemos então o Seu Orlando, pescador, que nos vendeu um pouco do seu gelo, suficiente até o próximo reabastecimento. Não precisamos de água, porque a tripulação é muito econômica. O banho da Isadora é de chaleira, na pia; o da mamãe é de água quente com regador, no banheiro; o dos meninos é no mar, com um pouquinho de água doce pra tirar o sal do corpo.
Eu havia lido no Roteiro da Marinha sobre o vento sudoeste no Saco do Mamanguá. É um vento que quando sopra costuma ser forte, pois desce o morro e "encana" entre os fiordes. Seu Orlando perguntou, com toda delicadeza: "-vocês vão dormir aqui? Estou perguntando, porque dizem, DIZEM, que hoje vai soprar o sudoeste. É melhor dormir lá no fundo, porque pra quem não está muito acostumado o mar mexido incomoda."
Fiquei então com a primeira grande decisão a ser tomada: dormir no mesmo lugar em que já havíamos dormido, em rumo contrário ao planejado, ou enfrentar o "temível sudoeste do Mamanguá". Após um pouco de dúvida, sanada pelo carinhoso chorinho que anunciava a hora do banho que precedia o mamá e o sono dos anjos, decidi que enfrentaríamos.
Não foi fácil. Ainda não conhecia suficientemente o barco, pra passar a noite em uma ventania. E que ventania. Na medida em que o vento aumentava, uivando, as "quarteladas de amarras" do cabo da âncora iam pra água. É assim: uma boa ancoragem, com vento forte, precisa de pelo menos 8x a profundidade de quantidade de cabo. Soltei 10x, e ainda assim o Guará "tremia" nas rajadas. Eu e o Vovô Vande fizemos turnos de vigilância para verificar nossa posição durante a noite, para saber se o barco não estava garrando (arrastando âncora). A ventania foi a noite toda, e o Guará não saiu do lugar nem meio metro. Recebi um certificado de ancoragem. E isto foi muito importante, pois nem sempre os melhores ancoradouros estão disponíveis, e muitas vezes é preciso ancorar em condições adversas. Uma grande aprendizagem.
Ah, a Isadora!? Dormiu como um anjinho, ao som do vento, das ondas batendo no casco e dos cabos batendo no mastro. É marinheira. E de primeira!!!

A Isadora com a mamãe no vento sudoeste do Mamanguá

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

1' de Silêncio...

...pelos irmãos do mar desaparecidos no naufrágio do barco "Minas Gerais", na Ponta dos Meros, em Ilha Grande/RJ, no último dia 28/11. Deus, em sua infinita bondade e sabedoria, provê o Amor e o amparo que confortará os corações dos familiares e amigos neste momento difícil. Acredito que nestas horas, todas as preces são muito bem vindas, para facilitar o trabalho de conforto e resgate espiritual dos irmãos que passam pela necessária provação.
Fomos tocados de uma forma mais intensa pela notícia. Há pouco mais de um mês, cruzávamos a mesma Ponta dos Meros, às vésperas de um mau tempo. Uma notícia assim, tão próxima, durante o planejamento de uma grande expedição, dá medo. Um medo que torcemos para que não nos instigue a desistir, mas a seguir em frente, com mais cuidado e planejamento.
A noite de sábado foi estranha. Eu estava no Guará neste final de semana, para revisão e reparos. Havia chuva e raios. No domingo (29), acordei com a estranha visão de um "barco fantasma", a poucos centímetros do Guará, que estava atracado ao cais: um dos barcos que estavam na poita, todo coberto de um limo escuro, estava em cima de mim. Ajudei o marinheiro de plantão a colocá-lo no pier, e fiquei sabendo um pouco depois que um outro barco também havia se desgarrado e estava à deriva próximo a umas pedras. Teria sido a mesma onda que emborcou o Minas Gerais? Não percebi.