A Missão
A Expedição Ilha Grande - Paraty consistiu em desbravar, a bordo de um veleiro, algumas das
maiores riquezas da Baía da Ilha Grande, de Angra dos Reis a Paraty/RJ, de 01 a 08/07/2017.
A Tripulação
Guará, o veleiro - Um autêntico Multichine 28 de construção artesanal, projetado para travessias oceânicas por
Roberto Barros, o “Cabinho”.
Thom – Comandante da embarcação, com 7 anos de
mar. Mestre, com experiência em navegação costeira.
Vovô Vande – Pai do comandante e cozinheiro
chefe, responsável pelo bom trato da tripulação. Conselheiro-mor, especialista
em pesca de sobrevivência.
Felipe “ModhaFocka”– Irmão do comandante e
fotógrafo profissional, responsável por eternizar os mais diversos tipos de
expedição, em terra e mar. Batuqueiro e violonista de improviso pra frente!
Professor Cleber – Compadre do comandante, navegador
imediato da expedição, pescador, professor e grande marinheiro.
Um por todos, todos por um.
O veleiro partiu da Praia Grande, na região
continental de Angra dos Reis. Navegou até a cidade de Paraty, contornando a
Ilha Grande pela sua face sul, voltada para mar aberto.
Além de conhecer as fantásticas belezas naturais
deste paraíso localizado no mar brasileiro, a expedição teve como objetivo o
bom exercício da convivência humana, o respeito mútuo, o trabalho em equipe e a
liderança de cada tripulante, conduzindo o veleiro Guará com segurança, responsabilidade,
descontração, alegria, e camaradagem. As funções a bordo foram atribuídas
"à maneira Shackleton": cada um dos tripulantes foi responsável por
uma atividade específica (navegação, cozinha, organização da cabine e convés), porém
houve um rodízio diário das atribuições, possibilitando a participação de todos
em todas as atividades. Sir Ernest Henry Shackleton (15/02/1874 - 05/01/1922)
foi um explorador polar que liderou três expedições britânicas à Antartida.
Ficou notoriamente conhecido pela maneira como conduzia suas expedições,
baseada na camaradagem entre os tripulantes. Em 1915, salvou todos os seus
homens do naufrágio do navio Endurance, destruído pelo gelo no Mar de Weddell,
no continente gelado.
O Embarque
02/07/2017 - Pernoite em 23º12'S 044º20,4'W
Foi neste dia, nesta hora, que o último dos
quatro tripulantes da Expedição Ilha Grande pisou o cais da Subsede do Iate
Clube do Rio de Janeiro, na Praia Grande, em Angra dos Reis.
Enquanto os outros dois integrantes roncavam
harmonicamente no interior do veleiro Guará, o comandante, embarcado no bote de
apoio, consumiu o último suspiro de gasolina e concluiu a remos o embarque do
derradeiro tripulante, o Felipe. Aquela figura boa pinta, pra frente, armado
com seu equipamento fotográfico pronto para registrar os momentos incríveis daquela
expedição, embarcou feliz e pôs-se a remar depois de duas horas voando, três
horas rodando e muita adrenalina para chegar a tempo de embarcar no último
ônibus disponível daquele dia.
Na manhã daquele domingo chuvoso, ainda sem
nenhuma provisão nos paióis da despensa, os quatro tripulantes iniciaram os
preparativos para atracação no shopping Pirata's, local onde o barco seria
abastecido com água potável, alimentos e combustível. Seria indispensável
abastecer o barco com muita disposição e bom ânimo, mas não foi necessário.
Cada integrante da honrosa tripulação, feliz com a expectativa pelo que viria
pela frente, trouxe consigo toda a alegria necessária para o sucesso da
expedição.
Depois de abastecermos o barco para os próximos 7
dias de mar, nos despedimos da terra firme com um belo brinde e um almoço. A
partir dali, o chão não seria mais tão firme assim.
O Saco do Céu, na Enseada das Estrelas
03/07/2017 - Pernoite em 23º6'S 044º12,6'W
O nome revela o lugar encantado onde passamos
nossa primeira noite na Ilha Grande. A Enseada leva este nome, pela sua
característica de refletir o céu em suas águas calminhas, sobretudo em noites
de lua cheia.
Com a hora já adiantada, adentramos a Enseada à
noite, desviando dos baixios e das pedras com auxílio de navegação eletrônica.
Ancoramos com aproximadamente 10m de profundidade, em fundo de lama, de boa
tensa. As águas calmas, quase não se mexiam. Ali, o primeiro jantar da
expedição foi preparado pelo cozinheiro-chefe, nosso querido Vovô Vande: uma
deliciosa carne assada com batatas, temperada pelo contentamento por
alcançarmos a meta de chegarmos ao nosso primeiro destino.
Pela manhã, embarcamos no pequeno bote de
borracha e remamos até o flanco esquerdo da linda praia, que abriga uma
população de origem caiçara que vive essencialmente no mar, do mar. Ao longo da
caminhada, fomos acompanhados por dois cães-guia, que gentilmente se
prontificaram a acompanhar-nos pelos desconhecidos caminhos. Neste lindo Saco
do Céu (saco é o nome que se dá a lugares bem abrigados, dentro de enseadas),
vislumbramos os primeiros raios de sol da nossa expedição, conversamos com
moradores locais e aprendemos sobre detalhes da construção naval artesanal
durante a visita a um pequeno estaleiro localizado no flanco direito da praia.
Depois de explorarmos o Saco do Céu, ainda na
Enseada das Estrelas, conhecemos a cascata da Feiticeira. Já na saída da
Enseada, ancoramos na pequena praia da Feiticeira, almoçamos a bordo e
percorremos a pequena trilha de 30 minutos que leva até a incrível cascata. Uma
imponente queda d'água de aproximadamente 10 metros de altura, onde tomamos também
nosso primeiro banho de água gelada. A tripulação parecia estar muito
determinada a não usar a pequena cabine de banho do Guará. E o banho de
cachoeira foi incrível. Acho que lavamos até a alma!
A Vila do Abraão
04/07/2017 - Pernoite em 23º7,8'S 044º9,6'W
A Vila do Abraão foi o terceiro destino
desbravado no mesmo dia. Este rendeu!
Após amarrarmos o Guará a uma das poitas da vila,
gentilmente cedida pelo Dudu, um amigo que nos foi recomendado por um amigo que
conhecemos no Saco do Céu, apreciamos o delicioso "Salmão Guará",
preparado pelo comandante Thom, acompanhado de um delicioso vinho tinto.
Após o jantar, parte da tripulação desembarcou na
simpática vila, bastante habitada, pois é a principal porta de entrada dos
turistas que ingressam na Ilha Grande. Desembarcamos com o bote de apoio na
praia e fomos conhecê-la, pouco habitada naquela encantadora noite de
segunda-feira meio chuvosa de baixa temporada.
Ao voltarmos, o aumento da maré provocou a quebra
de pequenas ondulações na beira da praia, e tivemos então nosso primeiro
engraçado contratempo: em uma manobra atrapalhada, enfiamos a proa do pequeno
bote na onda que quebrou bem na cara do cheiroso comandante!
Dormimos ali na poita, procurando descansar
bastante, pois no dia seguinte faríamos a primeira grande perna da expedição
até a praia da Parnaioca, do outro lado da Ilha.
A Parnaioca
05/07/2017 - Pernoite em 23º11,4'S 044º15'W
Pela manhã, os tripulantes Cleber e Felipe
desembarcaram na vila do Abraão para conhecê-la de dia e fazer algumas compras
a mais, para reforçarmos nossas provisões, pois a partir dali seguiríamos para
as praias isoladas do sul da Ilha. Estávamos preparados para a boa lestada
(ventos firmes que sopram de leste, que entraria e deveria permanecer nos
próximos dias) e mar com pequenas ondas de até um metro de altura. O plano
indicava um pernoite na Parnaioca, com incursão também para a praia do
Aventureiro, uma das mais lindas da Ilha Grande.
Tão logo os dois tripulantes embarcaram no
veleiro Guará, com pão e canha, içamos a vela grande (vela principal, que sobe
pelo mastro) e seguimos com apoio do motor para enfrentarmos o vento leste, que
já começava firme, e entrava bem na nossa cara. Assim que cruzamos o canal
entre a Ponta da Cafua e a Ilha das Palmas, desligamos o motor e abrimos a
genoa (vela de vante, que abre desenrolando-se do estai de proa). Aí o veleiro
Guará e toda sua tripulação abriram um sorriso enorme. E a euforia era tanta,
que esquecemos de recolher o pequeno bote de apoio que seguia surfando amarrado
à popa do veleiro. Para não deixá-lo ali, à mercê das ondas e do vento que
atravessava por bombordo, realizamos a difícil e bem sucedida manobra de
embarcá-lo por barlavento (o lado por onde entra o vento) com o barco navegando
a 7 nós de velocidade (1 nó = 1,852km/h). A tripulação parecia uma orquestra
trabalhando durante a divertida faina (trabalho a bordo). Sucesso T-O-T-A-L !
Nesta pegada fomos navegando, contornando a face
sul da Ilha até chegarmos à Parnaioca, em uma navegada que durou
aproximadamente 6h, com alguns enjôos a bordo. Chegando lá, a expectativa de
dormirmos em um mar de azeite, não se concretizou. A Parnaioca, com sua enseada
voltada para sudoeste é pleno movimento. Realizamos os procedimentos de fundeio
(ancoragem) em águas profundas, longe das margens, em duas tentativas, com todo
o respeito que o lugar merece. Lá, o vento sudoeste entra sem piedade. E embora
a previsão indicasse a permanência de ventos leste/nordeste, dos quais o local
é bem abrigada, optamos por dormir tranquilos. Aguardamos a chegada do
entardecer no barco, à companhia do marear pelo leve balanço das ondas. Comemos
deliciosos sanduíches e jantamos o macarrão preparado pelo Felipe, vendo a
garrafa de vinho deslizar em cima da mesa.
A Enseada de Araçatiba
06/07/2017 - Pernoite em 23º8,4'S 044º19,2'W
Acordamos na Parnaioca com o mar mais calmo e
muita disposição para conhecê-la. De longe, víamos as pequenas ondas quebrando
na praia de areia branquinha e mata virgem, observando ao longe os
trabalhadores do mar que consertavam suas redes e planejando o desembarque,
para evitar o banho que tomamos no Abraão. Embarcar ou desembarcar em uma praia
com arrebentação naquele pequeno bote com quatro marmanjos e equipamento
fotográfico de considerável valor monetário era sempre uma aventura divertida e
tensa. Descemos o bote, instalamos o motor, nos preparamos e fomos. À medida em
que nos aproximávamos, tal qual surfistas em uma prancha coletiva, escolhíamos
o intervalo entre as ondas para avançar e desembarcar na areia. Desta vez,
sucesso!
Caminhando pela praia, conversamos com os
pescadores que eram da praia de Lopes Mendes e estavam hospedados no camping do
Seu Sílvio. Mais adiante, conhecemos este nobre vascaíno, chegado a uma boa
conversa. Nos convidou para entrar, sentamos à mesa, e ficamos ouvimos belas histórias
sobre a Parnaioca e suas aventuras pelos estádios de futebol à época em que
morou no Rio. O Seu Silvio nasceu na Parnaioca, foi trabalhar na cidade grande
e voltou para encerrar sua jornada no lugar em que veio ao mundo. Ele tem boas
histórias pra contar. "-Ah, vocês são do veleiro? - perguntou ele. Mas
deixaram muito longe... o pessoal vem aqui com os catamarãs e ancoram ali no
canto perto das pedras." #ninguemdorme - pensei quieto.
Depois de conseguir um sabonete emprestado com o
Seu Silvio, fomos à cachoeira e tomamos outro banho daqueles que lavou a alma
da tripulação.
Voltamos caminhando pela praia, colocamos o bote
na água, contamos as ondas, embarcamos e aceleramos de volta ao Guará. Ligamos
o motor, subimos os 100 metros de amarra que que garantiram nossa tranquila
noite de sono e partimos rumo à cinematográfica Praia do Aventureiro. Com vento
moderado, pegamos uma das poitas livres e desembarcamos no cais de madeira à
esquerda da praia. Caminhamos, sentindo o alegre sol e a agradável brisa, até
decidirmos almoçar por ali. Comemos um PF que nos custou algumas horas para ser
preparado, naquele dia deserto. Aliás, esta é uma das praias que a gente se
alegra em conhecer assim, do jeito que nasceu: deserta, ou pelo menos quase.
Almoçamos, observando o fundeio e o desembarque
meio atrapalhado da tripulação de um veleiro clássico, lindo de encher os
olhos, que compôs aquela bela paisagem. Voltamos para o Guará, já atentos para
a execução das manobras necessárias para sair com a vela grande rizada (parcialmente
recolhida) devido ao vento leste que entrava firme, logo após a Ponta do
Aventureiro. Acho que o nome faz jus àqueles que resolvem conhecer o lugar,
seja navegando ou a pé, pela trilha.
Saímos com o apoio do motor e vela. Ao contornar
a Ponta, desligamos o motor, abrimos a genoa e fizemos a melhor velejada até
então. Com vento de través, o Guará voou baixo, assim como a linda ave rara, de
penugem avermelhada, que deu origem ao seu nome. Passamos pela Ponta do Drago,
seguimos de vento em popa e, mais a frente, demos um jaibe (manobra perigosa na
qual as velas trocam de lado com velocidade) para contornar a Ponta dos Meros e
seguimos rumo ao nosso local de pouso. O vento amainou muito, até acabar, pois
ficamos a sotavento da Ilha (o lado por onde o vento sai). Assim que o sol se
pôs, linda mente, acendemos as luzes de navegação, ligamos o motor e rumamos
com ajuda do gps até ancorarmos no nosso quintal: a Enseada de Araçatiba, na
face norte da Ilha Grande. Seguindo o rodízio de atividades, jantamos o
delicioso macarrão à carbonara preparado pelo Cleber, nosso tripulante oficial
de convés, enquanto o "taifeiro" principal manuseava uma linha de
pesca, em busca de alguma espécie diferente de bagre.
A Praia do Dentista, Ilha da Jipóia
07/07/2017 - Pernoite em 23º3,6'S 044º21'W
Acordamos em Araçatiba, em um dia de bela
calmaria na face norte da Ilha. O plano para este dia seria caminharmos da
praia até a Lagoa Verde, conhecida pela cor esverdeada de sua água e dos
encantos submersos neste lindo local de prática de snorkeling. Chegamos
à praia em grande estilo, com toda segurança adquirida nos desembarques
anteriores. Deixamos o bote em um local seguro e partimos para a trilha que tem
cerca de 40 minutos de duração, mas que nos consumiu 1h. Não fosse a
perspicácia do tripulante Cleber, o navegador do dia, teríamos dado a volta na
Ilha a pé pelo largo caminho principal, após passarmos direto pela entrada do
caminho de acesso à Lagoa Verde. Lá, contemplamos as maravilhas deste lindo
lugar e depois voltamos rapidamente pelo mesmo caminho.
Depois de um refrescante brinde na praia,
retornamos ao Guará e seguimos para a Praia da Tapera, na Enseada do Sítio
Forte, para mais um banho de mar e de água gelada, com sabonete, xampu, e tudo.
Puxa, vida... como se vive bem no mar. Lá na Tapera conversamos com o amigo
Naudi, sempre acolhedor. Esta praia é, sem dúvida, um dos melhores lugares nos
quais já estive: tem afeto, amizade, mar, praia, água doce para tomar banho e
abastecer o barco. Isto sem falar de todos os feijõezinhos que a Isadora comeu,
carinhosamente preparados pela Tia Telma. Esta praia já deixou saudades...
Banho tomado, mais um brinde feito em um novo
"porto", seguimos adiante rumo à Ilha da Jipóia, linda obra da
natureza, com praias diversas, a maior das ilhas que fica entre a Ilha Grande e
o continente. Entraríamos à noite, por isso mais uma vez o uso de instrumentos
para maior segurança na aproximação. Enquanto o navegador ficava atento à carta
eletrônica, o timoneiro conduzia o barco, com máquina reduzida, até que o
comando de "soltar âncora" fosse pronunciado, pondo fim ao
receio de um desproposital encalhe.
Seguros no novo "porto", depois daquele
golinho de cachaça que sempre ajudava a acalmar os ânimos da tripulação, eis
que instantes após o lançamento das linhas de pesca a euforia se alastrou pelo
convés. Dois peixes, a princípío classificados como algum "tipo de
bagre", subiram com a linha. No entanto, estudos mais aprofundados
apontaram para o famoso peixe "Olho de Cão", com escamas de
cor avermelhada, tamanho pequeno, alto valor culinário e muito comum na costa
brasileira. Pegamos quinze, e paramos por aí porque todos deveriam ser limpos e
degustados na mesma noite, porque não tínhamos mais gelo a bordo. Preparamos os
filés fritos, marinados em limão e sal, cobertos por farinha de trigo. Uma
iguaria, que nos proporcionou, além de sentir o sabor do mar onde estávamos,
relembrar como é possível viver bem e feliz com poucos recursos. À Luz das
Velas que nos levaram até ali. Totalmente roots!
A Cidade de Paraty
08/07/2017 - Pernoite em 23º13,2'S 044º42'W
Limpamos a redinha de comida que fica na cozinha:
café com leite, pão com manteiga na chapa e salada de frutas preparada com
banana, laranja e uvas passas começaram nosso dia, com horários programados,
pois em virtude da falta de vento do lado de dentro da Baía da Ilha Grande a
motorada até Paraty seria grande. O plano era sair cedinho da Praia do Dentista
e navegar a 5 nós de velocidade ao longo de aproximadamente 30 milhas náuticas
(1mn = 1,852km), com parada para almoço na Ilha do Cedro, já em Paraty.
Estimamos a navegação em cerca de 6 horas de duração, considerando a ausência
total de vento e mar de almirante.
A navegação transcorreu conforme planejada. A
parada para almoço na Ilha do Cedro foi às 12h e às 16:30h, aproximadamente,
fundeávamos defronte ao cais de Paraty. A lua apontava quase totalmente cheia,
tornando nossa recepção naquela simpática cidade ainda mais encantadora. Aliás,
encantadora também foi a navegação com o bote de apoio até o desembarque. Os
tripulantes remadores firmes no rumo, atentos às marolas que vinham de ambos os
lados, provocadas pelas traineiras de passeio que findavam seus expedientes
após mais uma jornada de trabalho. Aqueles que não remavam, palpitavam apreensivos
"-vem uma dali!", "-outra de lá!", "-e aquela
lanterninha potente, veio!?". Foi bem engraçado. Teria sido fatídico
sucumbirmos ali, a poucas remadas do destino final, depois de tantas aventuras
bem vividas.
A cidade de Paraty estava linda. Pessoas animadas,
famílias, casais de namorados e amigos de todas as partes do mundo reunidas
ali, tornam a aura daquela cidade iluminada, alegre, mesmo depois de tantas
dores vividas para começar o Brasil. Paraty foi um dos primeiros portos de
entrada do Brasil, início da Estrada Real, pelo qual entravam escravos e
esvaíam-se as nossas riquezas. Outrora, cenário de dor. Hoje, de alegria. A
prova viva de que não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe.
Jantamos em terra firme, uma deliciosa pizza,
muito bem brindada. A esta altura nos acompanhava fielmente a saudade de casa,
das nossas famílias, daquelas que abriram mão de nossa presença por nos
proporcionar viver esta breve aventura.
O dia seguinte, como de costume, foi dedicado ao
desabastecimento. Atracado ao novo cais, em uma das marinas de Paraty, as
fainas de limpeza e armazenagem do nobre veleiro Guará foram intensas.
Estamos certos de que este barco nunca foi tão
feliz. Assim como também estamos certos de que tudo o que aprendemos no mar, do
mar, com o mar, também nos faz mais felizes.
Agradecimentos
Às nossas heróicas mulheres-do-mar, que sempre vibram junto com cada nova posição alcançada, com cada
novo lugar conhecido, nossa total gratidão.
À toda tripulação do
veleiro Guará nesta expedição e em especial ao nosso querido fotógrafo Felipe "ModhaFocka", pelos
registros impressionantes que eternizaram as maravilhosas experiências que convivemos
a bordo. Para saber mais sobre este grande fotógrafo e seu trabalho a bordo de uma Kombi, acesse https://www.facebook.com/kombinacomfoto/
Muito obrigado e até a próxima aventura. À Luz de
Velas!
Thom, Cleber, Vande e Felipe
Tripulantes da Expedição Ilha Grande – Paraty
01 a 08/07/2017
O cais de Paraty


