"Marinheiros,
O dia estava bonito.Vento N-NW, mais ou menos 10 nós.
Biguá sem motor.
Mesmo assim, decidi encarar e levar minha mãe pra um churrasquinho naquela pequena baía antes do Lontra.
Na vela buja, o Biguá foi na manha. Foi bonito de ver a regata que acontecia e passar perto dos barcos.
Ancoramos
lá e assamos uma carne. Não tinha levado espeto, então comprei um. Não
adiantou, ficou no carro. Acabamos espetando no galho verde de
pitangueira. Assamos uma bananinha, aquelas tiras de costela. Muito bom.
Ficamos lá até umas 16h. Hora de voltar. O vento manteve a direção, mas aumentou para uns 15 nós. Embarcamos de volta.
Sabia
que sairíamos em orça, mas com um bom ângulo. Subi a vela grande e a
buja. Com aquela intensidade, o Biguá deveria ter ganho velocidade
tranquilo, se a vela grande estivesse bem trimada. Mas não estava.
Quando o vento entrou, o Biguá começou a derivar rumo às pedras.
Tentei ajustar, mas a vela fazia uma curva muito grande, uma barriga,
que impedia o movimento a vante e o barco foi de lado. Vento e corrente
empurrando pras pedras. Não deu outra, antes de bater, pulei na água,
subi nas pedras e segurei no braço. Não bateu. Uma lancha abençoada que
viu o apuro se aproximou devagar, jogou um cabo e rebocou. Não fosse o
carinhoso marinheiro amigo, teria que chamar o socorro e ficar lá
segurando o barco não sei quanto tempo. Um apuro danado.
Rebocados até a saída da pequena baía, ajustei as velas e fomos no
contravento até a entrada da marina. Tinha avisado o Luciano antes de
sair que estava sem motor, então antes de encalhar na entrada da marina
foi rebocar.
Foi um dia maravilhoso, de muitas aprendizagens, alguns arranhões feios na sola dos pés por causa das cracas e algumas conclusões.
As
avarias foram: uma parte da ferragem da alheta de bombordo se soltou e
foi perdida na água, vou providenciar outra. Com o vento, já na volta, o
cupilho do moitão do amantilho (cabo que segura a retranca), se soltou e
ficamos sem o amantilho. Improvisei uma forma de segurar a retranca,
mas será preciso prender de novo.
O motor, que não estava funcionando e nem liguei, trouxe para casa.
Ontem limpei o carburador, deixei funcionando um bom tempo e sequei o
carburador. O motor está na minha casa, devolverei no mês que vem, se
alguém precisar antes me avise pra eu avisar a vizinha pra entregar a
chave de casa. Resolvi que, quanto a ele, não tem jeito. O pessoal da
marina deixa gasolina velha no carburador e sempre vai entupir as
agulhas. Eu resolvi que vou comprar outro carburador e sempre que for
velejar vou colocar o carburador limpo, é muito rápido, posso mostrar
como se faz. Me parece o único jeito. Ou, levar o motor pra casa sempre.
Precisaremos fazer uma revisão na velaria, com o Pirão. Revisar
esticadores, fuzis, estais, moitões, mordedores, cabos, enfim, dar uma
geral pra deixar o barco bem ajustado. Se estivesse tudo ok, com
certeza, ele não teria ido parar nas pedras (tenho que tirar o meu da
reta, mas acho mesmo que é isso, rsrs).
Pretendo fazer essa revisão no fim das minhas férias, dia 18 ou
19/09, marcar com o Pirão e acompanhar o serviço. Será muito importante.
Enfim,
o barco veleja bem sem motor, mas tem que estar muito bem ajustado. Ele
é muito pesado e tem pouco pano pro peso que tem, essa é a impressão.
Demora pra pegar velocidade e em situações difíceis deixa em apuro. Por
isso, é bom ter sempre o motor funcionando.
Achei importante compartilhar a aprendizagem.
Descupem pelas avarias. Logo vai ficar tudo certo.
Agora vou passar um mertiolate.
Abraços e bons ventos! Bem bonzinhos..."