quinta-feira, 13 de outubro de 2016

"O Velejador Magnata"

Querido(a) Leitor(a),

Eu decidi fazer este post depois de uma rápida lamentação coletiva de velejadores, inclusive eu, em um dos grupos do WhatsApp.
Dizem que quem tem barco é magnata. Acho que é por causa da mídia, que sempre mostra nas novelas pessoas ricas em barcos, ou das propagandas de jóias, ou dos craques do futebol que costumam ter enormes iates luxuosos.
Bem, vamos para o meu caso. Eu moro em Brasília, bem longe do mar, e estou com um barco no litoral sudeste do Brasil. A primeira indignação é: "nossa, um barco!? Temos que investigar as suas contas". A segunda é: "e porque não traz ele pro Lago Paranoá?".
Vamos por partes.
Com relação a primeira indignação: o Guará custa menos do que um terreno, menos ainda do que uma casa na praia. Bem menos. Mas o que pega, mesmo, é a manutenção. Aí eu concordo. Vamos aos números (mensal):
- Aluguel da poita (local) + marinheiro para tomar conta (deixar pronto pra atravessar o oceano a qualquer momento, porque estou longe e não tenho tempo): R$800,00
- Passagens aéreas pra família, ida e volta (1x por mês): R$1.000,00
- Aluguel de carro + combustível pra chegar no barco (quando não usamos ônibus): R$300,00
Total: R$2.100,00
 - Em Brasília, moramos longe do trabalho, para economizar. Isso nos dá uma economia aproximada de R$2.000,00 com moradia e mais R$300,00 com transporte, porque optamos pelo coletivo.
Total: R$2.300,00
Ou seja, basta abrir mão dos confortos na terra para viver um pouco no mar.
Vejam que estes são os nossos números. Se você morar perto do barco, ou no próprio barco, eles serão ainda menores.
Com relação à segunda indignação, tem a ver com o estilo de vida. Gosto do mar. E de saber que um bom sopro de vento pode nos levar a qualquer lugar, com casa e tudo. Somos velejadores de cruzeiro, por opção.

Viver no mar é estilo de vida.
É respeitar a natureza, é preferir as coisas simples.
É viver uma solidariedade incrível entre as pessoas.
É descobrir quanto incomoda um saco plástico.
É saber quanto vale a água.
E relembrar como é bom viver sem microondas,
porque você tem muito tempo para estourar sua pipoca...