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domingo, 28 de fevereiro de 2021
"Você é uma Consciência Eterna...
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021
A "Expedição Arvoredo"
Caro Diário,
A "Expedição Arvoredo" foi realizada entre os dias 19 e 21/02/2021, em três pernas de navegação distintas: Ilha do Arvoredo, Foz do Rio Ratones, Armação da Piedade e costa leste de Governador Celso Ramos. Abaixo, um breve relato de cada uma delas.
Primeira Perna: Ilha do Arvoredo
De acordo com o ICMBio - Instituto Chico Mendes, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente:
"A Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (REBIO Arvoredo) é uma Unidade de Conservação (UC) de Proteção Integral, criada no dia 12 março de 1990, pelo Decreto Federal de Nº 99.142. Está localizada no litoral de Santa Catarina, a 11 km da costa, entre 27°11' – 27°16' S e 48°19' – 48°24' W. Possui uma área de 17.800 ha, abrangendo ecossistemas marinhos e insulares circunscritos por quatro ilhas, Ilha do Arvoredo, Galé, Deserta e Calhau de São Pedro. Sua criação foi concebida com o objetivo de proteger uma amostra representativa dos ecossistemas da região costeira ao norte da ilha de Santa Catarina, suas ilhas e ilhotas, águas e plataforma continental, com todos os recursos naturais associados. Esta região é marcada pelo contraste entre uma biodiversidade extremamente rica e uma intensa ocupação humana, impulsionada pela grande atratividade turística de sua costa e em parte pela grande importância econômica e cultural da atividade pesqueira. Nesse sentido, a efetividade da REBIO Arvoredo constituiu um fator primordial para a manutenção da riqueza biológica dos ecossistemas marinhos e manutenção dos estoques pesqueiros na costa catarinense."
Nesta encantadora ilha, de beleza natural rara e ímpar, há também um fato histórico muito pitoresco, narrado por Dieter Kohl em seu artigo intitulado "O Monge da Ilha do Arvoredo?". Abaixo, um trecho do curioso texto:
"No final do ano de 1848, uma luz que aparecia na Ilha do Arvoredo chamou a atenção dos pescadores que foram verificar a sua origem. No local, encontraram um eremita, que residia numa gruta, até hoje denominada “gruta do monge”. Segundo a narração das pessoas que tiveram ocasião de vê-lo era ele um venerado ancião, de alta estatura, vestido com um burel remendado, e de longas barbas brancas. Além das rezas que ensinava, o homem dava remédios para certas moléstias e sabia curar por benzedura."
"Expedição (s.f.) - grupo que viaja a uma região para estudá-la..."
Esta foi para Ilha Comprida e Cananéia, ao litoral sul do estado de São Paulo, por meio terrestre.
Lembro bem da última vez que estive ali olhando para este lugar, lá de fora, como alguém olha para a fachada de um lugar onde espera adentrar pela primeira vez.
As cortinas, branquinhas, balançavam ao vento, completamente fechadas. Vínhamos pelo mar. Eram 10:00h da manhã quando avistamos aquela barra confusa, cheia de ondas bagunçadas, convidando a seguir adiante. Havíamos acabado de enfrentar uma tempestade com ventos fortes, após um dia e uma noite inteiros singrando o trecho mais distante da costa do Brasil. Com uma boa dose de frustração, e outras duas de prudência, fundeamos na Ilha do Bom Abrigo, a única em todo aquele trecho e bem próxima à barra de Cananéia, esperando o mau tempo passar para seguir viagem até o próximo porto, Paranaguá, já no estado do Paraná.
A curiosidade quase matou o gato. Mas não foi daquela vez. Saímos dali pensando na próxima oportunidade para adentrar aquela barra, no intuito de tentar entender um pouco sobre o que sentiu Gonçalo Coelho, em 1502, quando ali esteve para abandonar "o mais enigmático degredado da história do Brasil: o Bacharel de Cananéia. Ali iria se tornar um dos locais mais importantes do Brasil na primeira metade do século XVI, pois era exatamente onde passava a linha estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas." (BUENO, Eduardo. Náufragos, Traficantes e Degredados - As Primeiras Expedições ao Brasil. Editora Objetiva).
A oportunidade chegou primeiro por terra, durante nossa viagem de volta de São José dos Campos/SP, de 12 a 18/02/2021, para o aniversário de 10 anos da priminha Mariana. Desta expedição, participaram: Thom, Rita, Isadora e o sempre disposto Vovô Vande, grande incentivador das aventuras inesperadas.
Por que não chama um guincho!? - Parte Final
...porque não precisou!
Ah, foi muito legal. Vou contar brevemente e tentar achar uma foto, pois acho que ficaram todas no celular do Vovô, eheh.
A última perna foi realizada em janeiro deste ano. Nos dias anteriores, havíamos retornado da "Expedição Garoupas", na qual trouxemos o Veleiro Guará da Marina Itajaí de volta para sua poita, na enseada de Calheiros. Foi uma expedição de dois dias apenas, com pernoite na Ilha de Porto Belo.
O Vovô estava muito empolgado para navegar. Com a condição perfeitamente favorável, prometendo um dia lindo com aquele "mar de azeite", seria muito agradável e tranquilo trazer o Veleiro Isadora pelo mar, lá da praia onde estava, a Gamboa, bem cuidado pelos nosso amigo Sr Mozart.
No dia anterior, embarcamos no Veleiro Guará e pegamos o motor de popa a gasolina, de 3.3HPs. Pela falta de vento, seria indispensável. Pegamos também o galão de combustível e o deixamos abastecido para singrar toda a costa leste da cidade de Governador Celso Ramos/SC, cruzando pela praia de Palmas, que em dias de mar grosso costuma levantar ondas consideráveis.
Bem cedinho, estávamos lá, montando o barco, puxando para a água, ligando o motor, nos equipando com coletes salva-vidas, tudo de acordo, como bem manda o figurino.
Foi colocar o mastro, com a vela içada, dar partida no motor e zarpar, para uma travessia pra lá de agradável. A cor da água era de um azul esverdeado incrível, de encher os olhos. Na chegada, com uma leve brisa, velejamos pelo interior da Baía das Tijucas. Que navegada!
É.. não foi preciso guincho, meus queridos. Afinal, barcos navegam. A missão trouxe momentos difíceis, é verdade. Na primeira perna passamos frio e o barco fez muita água por cima, nos obrigando a encalhar em Santo Antônio de Lisboa. Na segunda, passamos momentos agradabilíssimos no charmoso vilarejo, mas com vento sul e dificuldades no reboque, nos arriscamos e o Veleiro Isadora quase naufragou amarrado ao irmão maior. Na terceira perna, realizada um bom tempo depois, para que as condições climáticas finalmente se acomodassem, fechamos a travessia com grande alegria.
O Veleiro Isadora, agora, repousa amarrado a uma poita emprestada, ao lado do Veleiro Guará. E veio navegando, preenchendo seus tripulantes com experiências mais ou menos agradáveis, embora sempre valiosas.
"Navegar é preciso. Viver, não é preciso."





















