Esta foi para Ilha Comprida e Cananéia, ao litoral sul do estado de São Paulo, por meio terrestre.
Lembro bem da última vez que estive ali olhando para este lugar, lá de fora, como alguém olha para a fachada de um lugar onde espera adentrar pela primeira vez.
As cortinas, branquinhas, balançavam ao vento, completamente fechadas. Vínhamos pelo mar. Eram 10:00h da manhã quando avistamos aquela barra confusa, cheia de ondas bagunçadas, convidando a seguir adiante. Havíamos acabado de enfrentar uma tempestade com ventos fortes, após um dia e uma noite inteiros singrando o trecho mais distante da costa do Brasil. Com uma boa dose de frustração, e outras duas de prudência, fundeamos na Ilha do Bom Abrigo, a única em todo aquele trecho e bem próxima à barra de Cananéia, esperando o mau tempo passar para seguir viagem até o próximo porto, Paranaguá, já no estado do Paraná.
A curiosidade quase matou o gato. Mas não foi daquela vez. Saímos dali pensando na próxima oportunidade para adentrar aquela barra, no intuito de tentar entender um pouco sobre o que sentiu Gonçalo Coelho, em 1502, quando ali esteve para abandonar "o mais enigmático degredado da história do Brasil: o Bacharel de Cananéia. Ali iria se tornar um dos locais mais importantes do Brasil na primeira metade do século XVI, pois era exatamente onde passava a linha estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas." (BUENO, Eduardo. Náufragos, Traficantes e Degredados - As Primeiras Expedições ao Brasil. Editora Objetiva).
A oportunidade chegou primeiro por terra, durante nossa viagem de volta de São José dos Campos/SP, de 12 a 18/02/2021, para o aniversário de 10 anos da priminha Mariana. Desta expedição, participaram: Thom, Rita, Isadora e o sempre disposto Vovô Vande, grande incentivador das aventuras inesperadas.





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