Caro Diário,
A "Expedição Arvoredo" foi realizada entre os dias 19 e 21/02/2021, em três pernas de navegação distintas: Ilha do Arvoredo, Foz do Rio Ratones, Armação da Piedade e costa leste de Governador Celso Ramos. Abaixo, um breve relato de cada uma delas.
Primeira Perna: Ilha do Arvoredo
De acordo com o ICMBio - Instituto Chico Mendes, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente:
"A Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (REBIO Arvoredo) é uma Unidade de Conservação (UC) de Proteção Integral, criada no dia 12 março de 1990, pelo Decreto Federal de Nº 99.142. Está localizada no litoral de Santa Catarina, a 11 km da costa, entre 27°11' – 27°16' S e 48°19' – 48°24' W. Possui uma área de 17.800 ha, abrangendo ecossistemas marinhos e insulares circunscritos por quatro ilhas, Ilha do Arvoredo, Galé, Deserta e Calhau de São Pedro. Sua criação foi concebida com o objetivo de proteger uma amostra representativa dos ecossistemas da região costeira ao norte da ilha de Santa Catarina, suas ilhas e ilhotas, águas e plataforma continental, com todos os recursos naturais associados. Esta região é marcada pelo contraste entre uma biodiversidade extremamente rica e uma intensa ocupação humana, impulsionada pela grande atratividade turística de sua costa e em parte pela grande importância econômica e cultural da atividade pesqueira. Nesse sentido, a efetividade da REBIO Arvoredo constituiu um fator primordial para a manutenção da riqueza biológica dos ecossistemas marinhos e manutenção dos estoques pesqueiros na costa catarinense."
Nesta encantadora ilha, de beleza natural rara e ímpar, há também um fato histórico muito pitoresco, narrado por Dieter Kohl em seu artigo intitulado "O Monge da Ilha do Arvoredo?". Abaixo, um trecho do curioso texto:
"No final do ano de 1848, uma luz que aparecia na Ilha do Arvoredo chamou a atenção dos pescadores que foram verificar a sua origem. No local, encontraram um eremita, que residia numa gruta, até hoje denominada “gruta do monge”. Segundo a narração das pessoas que tiveram ocasião de vê-lo era ele um venerado ancião, de alta estatura, vestido com um burel remendado, e de longas barbas brancas. Além das rezas que ensinava, o homem dava remédios para certas moléstias e sabia curar por benzedura."
Nosso Imediato, Cleber Amaral, com olhar perdido na imensidão do mar. Possivelmente, um bom monge do século XXI.
O animado cozinheiro Vovô Vande, "tentiando" o nosso almoço.
Capitão Thom com "A Ilha Misteriosa" ao fundo.
Eram 08:30h da manhã quando, após uma rápida faina de abastecimento e a aquisição de alguns pequenos camarões que nos serviriam de isca e, quiçá, almoço, zarpamos de Calheiros rumo à misteriosa Ilha do Arvoredo. Da tripulação, apenas o capitão a conhecia, da época em que obteve sua habilitação de mergulho. Velejamos lentamente, a aproximadamente 2 nós de velocidade, com duas linhas de corrico puxadas pela popa.
Na Ilha, almoçamos um delicioso arroz com molho de camarão preparado pelo nosso cozinheiro e mergulhamos em uma água tão transparente que era possível enxergar o fundo, a 10 metros de profundidade.
Quando não pescamos, comemos as iscas :)
Segunda Perna: Foz do Rio Ratones:
A velejada da Ilha do Arvoredo até a foz do Rio Ratones foi épica. Com vento fraco, velejamos com vento de alheta (pela popa, empurrando o barco) a uma velocidade aproximada de 5 nós. Não ligamos o motor, nem para zarpar. Bastou subir a âncora e já estávamos velejando, lentamente, rumo ao novo destino, quando chegamos ao entardecer. Deixamos a Thinker Bell, nossa piloto automática, trabalhando, enquanto vagabundeávamos lindamente naquele sombreado convés.
Chegando a foz do rio, fizemos uma aproximação bastante cautelosa, para não encalharmos. Fundeamos na menor profundidade segura possível e pescamos, pela conta, 16 pequenos bagres, 02 baiacús e 01 pequeno siri. Todos foram soltos. Comemos arroz com linguiça, para alegria dos bagres que nos escoltavam o sono.
Terceira Perna: Arrmação da Piedade:
Eram aproximadamente 08:00h da manhã quando içamos âncora da foz do rio, rumo à praia da Daniela, bem próxima, onde embarcariam mais dois tripulantes: o Felipe e a Eduarda. A tripulação estava completa. Os quatro aventureiros daquela épica Volta da Ilha Grande, em Angra dos Reis/RJ, em 2017, estavam a bordo! E, de quebra, a agradável Eduarda, com sua energia hiper-positiva :)
O Cleber e o Vovô Vande remaram no bote de apoio até a praia, onde aguardaram a chegada dos dois novos tripulantes. Eram quase 10:00h quando, de forma agradavelmente lenta, começamos a boiar rumo à encantadora prainha da Armação da Piedade. Ali, em 1738, começou a ser construída a primeira igreja edificada em Santa Catarina, em estilo colonial português, utilizando óleo de baleia em sua argamassa. Triste período de nossa história, incrustrada entre os tijolos da bela construção.
Eram 12:00h quando fundeamos o Veleiro Guará defronte a bela praia, de águas calmas e esverdeadas, para um agradável desembarque gastronômico em um dos restaurantes típicos da região. Ali, saboreamos iscas de peixe e anéis de lula à dorê.
Felipe "ModhaFocka" e Eduarda Renaux
Igreja da Armação da Piedade (foto: www.turismo.governadorcelsoramos.sc.gov.br)
Quarta Perna: Costa Leste de Governador Celso Ramos:
Eram quase 15:00h quando, a pano, içamos âncora e rumamos em contravento com a proa para a Ilha do Francês, no través da praia de Canasvieiras, em Florianópolis. O vento, que soprava de sudeste, nos levaria direto de volta ao nosso porto de origem, em Calheiros. Mas para isso, precisávamos ganhar espaço de manobra, razão pela qual avançamos em rumo perpendicular por algumas milhas. Bem adernados, com vento de leste-sueste bem na nossa cara, adernamos bastante o barco, possibilitando assim uma "velejada raiz" à nova tripulante. Após o êxito neste momento mais duro, cambamos para bombordo e, em um bordo só, adentramos a Baía das Tijucas deixando a Ilha de Ganchos também pelo nosso bombordo.
A partir dali, recolhemos a vela genoa e, tranquilamente, fomos conduzidos, só com a vela mestra, até a entrada do canal da nossa enseada, balizado entre duas grandes fazendas marinhas marisqueiras.
Sucesso T-O-T-A-L ! ! !
Vela mestra em faina de recolhimento
A bordo, o trabalho nunca pára: nosso imediato consertando o bote de apoio.
Track de navegação enviado pelo transponder satelital. Siga nossas aventuras pelo link
https://maps.findmespot.com/s/R3BM
Bem vindo(a) a bordo!
/)/)
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