"-Papai, me leva pra praia?" - disse a pequena Isadora, então com 6 anos. Nesta idade, a mágica das estórias se entrelaça com as histórias mágicas que a gente vive no dia-a-dia.
Saímos para navegar a motor pela costa de Porto Belo, afim de encontrar um bom pedacinho de chão para correr e esticar as pernas. Fomos e voltamos, em uma navegada de +/-1h. Passamos por uma pequenina praia deserta, um vilarejo, um restaurante com pier, garotos jogando futebol e a bela bagunça motorizada da enseada do Caixa d'Aço. Claro que voltamos pra prainha deserta.
Era rasa. Então, decidimos fazer uma aventura: estávamos ainda na maré alta, de modo que daria para chegar mais perto e remar menos o pequeno e razoavelmente inundado bote inflável, já em vias de mais reparos. Desembarcamos, sob leve chuva. "-Uaaaauuuu!!" - disse a "fadinha", que vestia uma linda capa de chuva que ganhou da prima. "-Estas conchinhas são mágicas, pai!" - completou, dizendo que agora tinha superpoderes.
Acessamos a pequena praia por uma pequena fenda nas pedras, inundada pela água do mar. Por ali, com alguma dificuldade, conseguimos entrar e encalhar o bote na areia. Exploramos o lugar por algum tempo, colhendo conchinhas mágicas e contemplando aquele lindo lugar encantado.
Ao voltarmos, navegamos em volta do barco tentando identificar alguma pedra ou poita abandonada, que pudesse danificar o casco do barco em uma possível rondada. Tudo ok. Desembarcamos, tomamos banho, jantamos uma deliciosa lentilha preparada pela mamãe e seguimos acompanhando a profundidade pelo ecobatímetro. Um metro e setenta centímetros. "-Zarpamos agora ou enterramos a quilha" - pensei. Seguimos um pouco mais adiante, a uma profundidade de 3,5m. Agora sim. Bons sonhos. "-Zzzzzzzz...." - roncamos.



