segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

A "Expedição Esmeralda"

Queridos Leitores,

Entre os dias 30/10/20 e 01/01/21, realizamos a bordo do Veleiro Guará a "Expedição Esmeralda", que marcou o início de nossa jornada de navegações pela costa brasileira. Embarcamos no dia 30/10 e, após todos os preparativos, pernoitamos a bordo e zarpamos de nossa base em Governador Celso Ramos/SC no dia 31/10 rumo à Ilha de Porto Belo, nas proximidades da enseada do Caixa d'Aço, onde pernoitamos. A enseada recebeu esta denominação há muitos anos, por ser a única na região abrigada dos ventos de todos os quadrantes. Sem dúvida, nosso melhor ancoradouro aqui em Santa Catarina.

Waypoint: -27.127S  -48.527W

Nossa expedição foi assim denominada pois, pelo mar, cruzamos por todos os municípios da chamada "Costa Esmeralda", que é um dos roteiros turísticos mais bonitos e procurados de Santa Catarina.

Transcrevemos abaixo um pequeno trecho extraído do site oficial da região:

"Localizada em Santa Catarina, a Rota Costa Esmeralda é um destino turístico situado na Região Turística da Costa Verde & Mar e é formado pelos municípios de Bombinhas, Porto Belo e Itapema. A região possui aproximadamente 60km de litoral e uma grande parte do território conservada por meio de áreas naturais protegidas, a cor esverdeada de seus mares é uma marca. Além disso, possui mais de 50 praias e uma rica biodiversidade, com tucanos, macacos, tamanduá-mirim, inúmeros pássaros e flores selvagens. A região oferece várias atrações como pescarias, passeios de barcos, esportes náuticos e subaquáticos e gastronomia típica açoriana com muitos bares e restaurantes na orla marítima. A rede hoteleira também é destaque com excelentes meios de hospedagens na região." 

Fonte: https://www.visitecostaesmeralda.com.br/costa-esmeralda

Marcelo, durante seu turno ao leme, ao lado do capitão, no través de Itapema/SC.
Levados pelo vento sul que soprou firme durante toda a travessia /)/)
 
 
Waypoint: -26.913S  -48.650W
O famoso "Arroz Guará" preparado à moda do capitão, já no porto de chegada em Itajaí/SC.
Hummm... :)


Bem-vinda a bordo, tripulação!
 
 
Morando a bordo durante o período de manutenção do veleiro, a alegria é garantida...

...enquanto as atividades escolares e os trabalhos seguem suas rotinas
 
Carta náutica eletrônica da região navegada, de Ganchos a Itajaí.
 

Ficha Técnica da "Expedição Esmeralda":
 
Distância navegada: +/-50MN
Porto de Origem: Enseada de Calheiros, Governador Celso Ramos/SC
Pernoite: Enseada do Caixa d'Aço, Porto Belo/SC
Porto de Chegada: Marina Itajaí, Saco da Fazenda, Itajaí/SC
Tripulação em navegação: Marcelo (proeiro) e Thomás (comandante)
Tripulação em terra: Isadora, Rita e Thomás (permanentes); Vande, Felipe, Eduarda, Fábio, Alessandra, Heros, Silvana, Davi, Fábio, Ana e Duda (visitantes)
 
/)/)

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Embalos de um domingo a tarde


 

Eu tive um sonho

Sonhei.

Sonhei que acordei dentro de uma máquina.

De repente, o vento começou a soprar e a máquina começou a deslizar sobre a água, me levando com ela.

Tudo era azul ao redor.

Lembro de ter ficado assim um bom tempo.

Adormeci, não sei bem por quanto tempo. Acordei de novo.

Já não estava mais só. Me vi em uma  cidade, em meio a uma enorme calçada, repleta de casas estranhas ao redor.

Onde estou? Não sei. Mas gosto daqui. E me pergunto o que vai acontecer se eu dormir novamente.

Talvez aquele vento irá soprar e tudo ficará azul de novo.

Onde vou acordar? Não sei. Mas acho que vou gostar...



quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Seja bem vinda, Fase IV ! ! !

Amado Diário de Bordo,

Bem sabes que realizar algo um pouco diferente requer planejamento, dedicação e foco. Há seis anos, viemos conversando um bocado, não é mesmo!?
Quando a gente teve a idéia "diferente" de navegar pelo mundo, sem barco e morando a mais de 1000km do mar, sabíamos que torna-la real transformaria nossas vidas em diversos aspectos. Por isso, lemos um bocado, nos tornamos fãs de alguns ídolos que criamos, interagimos com outros navegadores, demos "bordos bem abertos", caímos, nos aborrecemos, levantamos, nos abraçamos, costuramos nossas velas e ajustamos nosso rumo. Agora, bem na nossa proa, nosso próximo porto surgiu no visual: Fase IV, aí está você!
Olhando na esteira de nossa passagem, recapitulamos:

FASE I - Planejamento (2014): decidimos viajar em 10 anos, naquele 31/12/2013. Estudamos projetos de barco, relatos de viagens, lemos bastante, fizemos contas e mais contas e... ops, bem vinda à tripulação, Isadora!

31/12/2013 - Este brinde rendeu... bordo!


FASE II - Compra do barco e adaptação (2015-2017): compramos um barco pronto, viajamos muito para o mar (contabilizamos mais de 100 vôos!), nos "marinizamos" navegando bastante em cruzeiros curtos por mares quase sempre calmos. Esta fase foi incrível! Tão boa, que poderia ter durado a vida toda, mas... homens e barcos ficam melhores navegando, então...

Primeiro embarque em Paraty/RJ... bordo!

FASE III - Um porto seguro (2018-2020): saímos dos trabalhos com hora marcada, nos mudamos para o mar e mais perto da família. Construímos nossa base, nos reinventamos profissionalmente (ufa, que sufoco isso!), começamos educação doméstica com a Isa. Focamos mais nos aspectos terrestres, navegando eventualmente para levantar algum recurso para a manutenção do barco. Foi a etapa mais difícil até aqui, e agora... :) :) :)

Ops, a obra parou!? Sem problemas! Bordo!


FASE IV - Adquirir experiência (2021-2023): Nesta fase, o capitão navegará pela costa brasileira, uruguaia e argentina, na maior parte do tempo sozinho, sobretudo nas travessias mais longas, para contabilizar milhas náuticas e ganhar experiência no mar. A tripulação encaminhará os assuntos em terra e irá embarcar sempre que possível, em diversos lugares diferentes. Acreditamos que toda nossa dedicação até aqui tende a produzir bons frutos /)/)

Volvo Ocean Race 2018 - Itajaí/SC


FASE V - Surpresa ;-)

E se a Kombi navegasse!?

Esta foi engraçada.

Tem coisa, que a gente acha que nunca vai acontecer. Mas, quando acontece, às vezes isso ocorre de maneira muito inusitada, rs.
Meu irmão tem uma Kombi, e com ela um projeto muito legal com aulas de fotografia itinerantes (siga @kombinacomfoto no Instagram para conhecer mais). E nestas andanças com ele, sempre imaginei que se um veleiro navegasse por terra, seria como ela. E a recíproca seria verdadeira. Bem, isso, se Kombi pudesse navegar, né!? Ou será que... /)/) !?

Kombi navegando em 32.014S 52.063W


quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Novos Velejadores

 26-09-2020:

Desta vez a bela enseada da Armação da Piedade serviu de raia para a preparação de três novos fortes, aguerridos e bravos velejadores. Em apenas dois dias intensivos de preparação, já estavam velejando sozinhos o Dingue Isadora.

Estamos muito orgulhosos, Marina, Maurício e Valdeci! Parabéns!!!

Dingue Isadora formando novos velejadores

Marina e Valdeci comemoram seu retorno do mar
 
No retorno à base após o primeiro dia de instruções, jantar em grande estilo!
 
 
 
Orgulho!
 


Um dia brilhante!

19-09-2020:

Registro de uma velejada belíssima com a família Teodoro Machado, que já mora em nossos corações há mais de 20 anos!

Faríamos uma atividade de resgate, mas ficamos em dúvida sobre qual dos dois novos tripulantes estaria mais apto ao papel de MOB (Man Over Board)... brincadeirinha! rsrs.

Todos se saíram muito bem a bordo e mais uma vez embarcaram muita alegria no veleiro Guará!

Parabéns, tripulação! Bons ventos sempre!!
/)/)


segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Por que não chama um guincho!? - Parte 3

Diário, meu caro,

Na manhã daquela chuvosa segunda-feira, demos início à missão de reboque. Acordado por volta das 4:00am com os barulhos das batidas secas dos "beijos" do veleiro Guará na pequena irmã, incentivado pela mudança do vento norte para sul, descasquei uma banana, comi, e iniciei a faina: subi o bote de apoio para o convés, coloquei a base do mastro no veleiro Isadora e amarrei nele o cabo de reboque, por ser este o único ponto na proa com resistência mecânica suficiente para o transporte. A pequena alça no bico de proa do Isadora certamente não resistiria aos impactos das puxadas constantes e repetitivas do reboque da embarcação. Assim zarpamos, bem cedinho, sob chuva fina e leve neblina. Içada a vela mestra, subi a âncora e dei um suave jaibe, para não acordar as meninas que deliciosamente dormiam na cama da proa.

Ao ganhar velocidade, percebi que o pequeno Isadora vinha um pouco de lado. A princípio tudo bem, pois não esperávamos ventos fortes e velejaríamos com um suave vento de alheta (quase entrando pela popa, porém entre a popa e o través dos barcos). Seguindo assim, nas proximidades das ilhas de Ratones, avistei uma rede de pesca armada, com grande extensão. Os pescadores, ali próximos, navegaram em minha direção orientando que deixasse a primeira bóia da rede por boreste, a sotavento. Assim o fiz. Quando o vento entrou de través, os barcos ganharam velocidade e o Isadora capotou rebocado. P... m..!!! Folguei os panos e fui avaliar a situação na plataforma de popa do Guará. Neste momento, percebendo que algo estava errado, eis que a imediata salta da cabine e assume sua função, assumindo o governo do barco pela primeira vez em condição adversa. Uma grande alegria ao comandante, naquele desfavorável contexto!

Tentei desvirar o barco ali de onde estava na popa algumas vezes. Pensei em mergulhar, sabia desta necessidade, mas estava frio e eram 6:00am de segunda-feira, puxa vida. Foi aí que a imediata perguntou: "tu não vais pular na água!?" - pronto. Era só o que faltava. Desci, coloquei a roupa térmica de mergulho e dei um "bico", como se diz nas barrancas do rio Itaquarinchim. Subi sobre o casco do Isadora, fiz a alavanca, tentei uma, duas, três vezes e... nada. Ambos os veleiros em seguimento, a cerca de 3 nós de velocidade, o segundo com a base do mastro servindo de quilha. "Não vai desvirar nunca" - pensei, considerando navegar para a praia mais próxima, fundear e tentar safar o pequeno Isadora que, muito lentamente, começava a fazer água pela geladeira instalada na caixa da bolina. Foi então que lembrei das aulas de vela, onde ensinamos que veleiro monotipo se desvira usando a bolina. Peguei-a, inseri ao contrário pelo casco, até o final, e fiz a alavanca. Bingo! O Isadora estava, novamente, navegando com o casco para baixo.

Mudei então o ponto de reboque e amarrei na alça, mesmo sabendo que poderia não aguentar, sobretudo porque o casco continha água e estava mais pesado. Seguimos navegando, desci, troquei de roupa e, quando voltei, a imediata estava com os olhos firmes no horizonte à frente enquanto o Isadora flutuava, solitário, há uns 300 metros atrás. P... m...!!! Voltamos para buscá-lo, usando o croque (haste com gancho na ponta, usada para pegar a bóia de amarração do barco) para pescá-lo. A alça havia mesmo arrebentado. Amarrei novamente no mastro, mas também não funcionou e o soltei novamente, pois receava que pudesse emborcar mais uma vez. Amarrei então pela popa, na alça da cinta de escora, que estava bem firme. Seguimos assim, cuidadosamente, até a Ponta do Magalhães, um abrigo de vento sul na Baía dos Golfinhos, já em Governador Celso Ramos. Decidimos permanecer ali o resto do dia e pernoitar para, no dia seguinte, seguir por dentro da baía mesmo até a praia da Camboa, na Armação da Piedade, bem pertinho, onde mora um grande amigo, o "Seu Mozart". Naquela condição de reboque, atravessar a praia de Palmas, em mar aberto, seria uma péssima idéia. No dia seguinte, navegamos sob chuva intensa até a Camboa, ancoramos bem e desembarcamos com o veleiro Isadora, recebidos com toda a atenção e pertinente reclamação do nosso querido compadre e também velejador Cleber. Afinal, sair de casa cedinho, sob chuva, para encontrar alguém na beira da praia e ainda ter que fazer força para puxar um barco não é algo lá tããão agradável assim, né!? Desculpa aí, compadre! Coisas do mar... rsrs

Estávamos todos muito bem (e molhados!), quando ganhamos uma carona de carro até nossa base. O veleiro Isadora ficou bem guardado em frente à casa do Seu Mozart, e o veleiro Guará bem ancorado ali perto. No final de semana próximo, eu voltaria para buscá-lo.

A lição aprendida com este incidente remete-nos, mais uma vez, ao solene ditado: "Quem se faz ao mar, avie-se em terra". No mar, assim como em terra, sempre há chances de algo dar errado. A diferença é que, em terra, as redes de apoio costumam estar mais à disposição. Lá, estaremos sozinhos. Por isso, o importante é ter sempre ao menos um plano B e, na falta deste, não fazer.


Veleiro Guará rebocando o Veleiro Isadora, momentos antes do incidente


Bem... ainda falta um pequeno trecho, de umas dez milhas náuticas, que farei velejando solo com o Isadora. Ou será que eu chamo um guincho!? Diz aí nos comentários... você decide!

Bons ventos e... ótimos planos!

Thom.




Por que não chama um guincho!? - Parte 2

Caro Diário,

Continuando a saga do retorno do veleiro Isadora ao seu porto, eis que fiquei com aquele compromisso gostoso, porém inquietante, de PRECISAR navegar. Afinal, o veleiro estava de favor na casa de um amigo recém encontrado, que eu não queria perder, né!? Logo, deixá-lo ali "a perder de vista" não era mesmo uma opção considerada. Guincho, também não!

Bem, então, o jeito seria navegar. Mas a temperatura insistia em não aumentar naqueles dias, o que diminuía "um pouquinho" minha vontade de zarpar dali. Foi aí que surgiu a idéia de fazer um programa de família, daqueles que só a família para aturar mesmo, rs. Ir rebocá-lo com o irmão maior, o Guará! O programa foi imediatamente aceito, com a condição de levarmos junto o carrinho de bebê da Isadora (a filha), que havia sido vendido e precisaria ser entregue naqueles dias. Tudo certo, então!

Já na quinta-feira, embarcamos tudo no Guará. Uma verdadeira mudança, pois planejamos ficar 5 dias no mar e desde nossa estadia no Rio de Janeiro não fazíamos uma destas, então o barco estava bem desabastecido. Cem litros de água, vinte de diesel, comida, roupas, material escolar, brinquedos e, claro, o carrinho da Isa em três partes, com moisés e bebê conforto. Quase desisti! kkk

Na sexta-feira, zarpamos com tempo nublado e chegamos ao destino sob chuva fina e friozinho, em uma bela navegada. Eis que ali seria nosso lar pelos próximos três dias, onde reencontraríamos o Isadora, o amigo Paulo, a tia Nathi, e passaríamos mais alguns dos melhores dias de nossas vidas :)

Veleiro Isadora resgatado, amarrado à "varanda" do Guará

Sem legenda. Pictured by Tia Nathy.

A bordo, os estudos avançam em velocidade impressionante!

Serviço de bordo :)

O jogo do General é o preferido

Tia Nathy, nossa visita de domingo. Mais um laço apertado a lais de guia: não solta, mas também não aperta :)


Continua...


Por que não chama um guincho!? - Parte I

Caro Diário,

Há algum tempo, o veleiro Isadora estava emprestado aos Escoteiros do Mar, para incentivar os jovens à aprendizagem e à prática da vela. E assim cumpriu amorosamente sua missão, por cerca de dois anos.

Quando o levamos, fomos pelo mar, em dois tripulantes: o timoneiro e o proeiro. Foi uma velejada incrível e relativamente fácil, apesar da distância de aproximadamente 30 milhas náuticas.

Para trazê-lo de volta, a expedição seria no inverno, com ventos moderados e água fria. O proeiro perguntou, sensatamente: "-por que não chama um guincho?". Apesar de ter a resposta dentro de mim, refleti sobre ela por alguns segundos e respondi: "-porque barcos navegam..."

Preparamos o barco, consertamos o casco, costuramos a vela, testamos e, na véspera da data programada, dormimos na sede escoteira para sairmos bem cedinho, à vela e motor. Estaríamos com peso extra, e a previsão de ventos contrários havia se confirmado. Navegamos bem e corajosamente, até o través da praia de Cacupé, ao norte da Ilha de Santa Catarina. Ali, as ondas dentro da baía lavavam o nosso convés e, molhados, passávamos bastante frio. Decidimos então deixar o barco na bela praia do Cacupé mesmo, no pátio da casa de um amigo recém conhecido, o Seu Paulo, também velejador nos tempos idos e ainda amante da prática da construção naval. Sem dúvida, um belo presente que o mar reserva aos navegadores. /)/) 

Zarpe na praia do Abraão, na parte continental sul de Florianópolis/SC. Que ansiedade!
Chefes Rodrigo "Chorão" e Thomás

Encalhe na praia do Cacupé, na parte insular norte de Florianópolis/SC. Que frio!
Gentis transeuntes pandêmicos e curiosos da vizinhança

"-E agora!? Por que não chama um guincho!?"

Continua...


sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Gostosa Intervenção

Papai e mamãe conversavam sobre algo importante quando o diálogo foi interrompido por uma ansiosa princesa:

"- Sobre o que vocês estão conversando, heim!?" - perguntou ela.

"-Estamos conversando sobre a nossa viagem, filha." - respondeu carinhosamente o papai.

"-Ah, claro... e vai ser amanhã ou hoje, a nossa viagem?" - replicou.

Esta não nega a origem! rsrs

A almiranta e a capitã.

/)/)

domingo, 16 de agosto de 2020

"Só se vê bem com o coração."

"O essencial é invisível aos olhos."

Caro diário,

Esta frase é uma das minhas preferidas. Ela é atribuída ao Pequeno Príncipe, um jovenzinho que morava em um planeta solitário e que, um dia, decidiu deixar sua amada rosa sob uma protegida redoma de vidro e encorajou-se a viajar.

Bem, na verdade, a frase não é do principezinho. É do Antoine, o seu autor. Eu não o conheci muito bem, mas acho que ele era um cara bem legal. Foi piloto de aviação comercial, do correio francês. E ele deve ter vivido cada coisa...

Pois bem, na verdade, eu comecei a escrever estas "viagens", mas eu queria mesmo era falar sobre a luz da vela. É, sim, ontem a noite faltou luz aqui na base e eu rezei para ela não voltar, rs. Lembrei de quando viemos morar aqui, não tinha luz elétrica. Até tinha um pequeno painel solar, mas usamos muita luz de vela. Até hoje, mantemos uma sala sem energia elétrica. É onde estou escrevendo agora.

Sabe... eu acho que quando tem muita luz, a gente percebe muito o exterior. Ah, e como é lindo! O sol, como brilha... a cor do mar, às vezes azul petróleo, às vezes verde como a mata... a cor do céu, de azul celeste à vermelho fogo, é estonteante. As cores das flores, das pessoas.... as roupas, as maquiagens, as construções, as máquinas... fascinam!

Mas aí... a luz se vai e, se não usarmos a energia elétrica, vem o crepúsculo. E a gente passa a ver outras coisas, que estão dentro. Ah, como é lindo! Às vezes, encontramos tanta beleza... outras tantas vezes, nem tanta assim. E é sempre lindo, esse olhar pra dentro, esse auto-encontro. Afinal, "só se vê bem com o coração" mesmo, né!?

E então... se a gente acende uma vela... vemos mais ou menos o que está fora, mais ou menos o que está dentro. Parece que a gente fica ali, em transe, sendo inteiros: vendo um pouco dentro, um pouco fora... se situando... caminhando devagar... planejando nossas ações, com cuidado, para não tropeçar. Administrando um recurso mínimo, planejado, que nos conduz à ação, sem exagero. Só o suficiente. Quando como navegamos com o vento, com os recursos necessários, nem mais, nem menos. Se ele sopra mais forte, aproveitamos o seguimento. Se sopra mais fraco, mantemos o rumo, nos aperfeiçoamos, para fazer o melhor com o que temos. Se ele acaba, esperamos. Olhamos para dentro, arrumamos nosso barco, esperamos, como na escuridão.

Ah... como é bom acender uma vela. Ou... ascender uma. De um jeito ou de outro, a gente acaba vendo com o coração mesmo, já que "o essencial é invisível aos olhos".

Em um inesperado jantar à luz de velas...


...o pedido não poderia ser outro quando a luz voltou: "-pode apagar, por favor!?" :)

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Reencontro no Atlântico Sul

Diário de Bordo, 10/08/2020.

Precisamente às 1100GMT, na posição 27.38°S  48.53°W, aconteceu o reencontro com o tripulante Cleber Amaral no veleiro Guará.

Cleber, também comandante do veleiro Serelepe, retornou recentemente da Nova Zelândia, onde viveu com a família por cerca de 1 ano, completo de experiências e boas histórias.

Seja bem vindo de volta, navegador!

O Cleber parecia ter vindo a remos da NZ, nesta "arisca" embarcação

Os bons ventos das altas latitudes o fizeram bem, comandante. Bem vindo de volta!


Sementes ao Vento...

Diário de bordo, 09/08/2020.

Há muito, me disseram sobre a importância da ação do vento espalhando sementes por aí. Ao acariciar as plantas, ele muitas vezes carrega vida por longos quilômetros terra adentro, fazendo com que diferentes espécies se espalhem por aí, semeando naturalmente, continuando o ciclo da vida.

Ontem, o vento trouxe algumas delas ao veleiro Guará: o Maurício, o Valdeci e a Marina. Eles talvez ainda não sabiam, mas já eram sementes. A experiência de ontem serviu apenas para mostrar-lhes que, como aquelas outras levadas pelo vento, assim também nascem os velejadores quando embarcam pela primeira vez.

É... de algum modo, parece que continuarei abrindo velas no lago Paranoá e até em Uruguaiana, onde nunca naveguei. Só que desta vez, por outras mãos, levadas daqui pra lá. Pelo vento...

Valdeci, Marina e Maurício: em forma, tripulação!

Uma bela velejada pelo entorno de Governador Celso Ramos/SC

Tripulantes muito engajados

Nosso destino: a bela praia do Tinguá

A Isadora e a mamãe, juntamente com os primos Leo, Cris, Pedro e Lara, aguardavam a chegada do veleiro Guará na praia do Tinguá, para uma linda confraternização com os papais navegadores. Devidamente mascarados, cada um na sua mesa, rs. Esta pandemia...

Papais, parabéns pelo seu dia!
/)/)

sábado, 1 de agosto de 2020

"Quem se faz ao mar...

... avie-se em terra! ", diz o antigo ditado marinheiro.
E, nesta filosofia, o veleiro Isadora prepara-se para sua expedição rumo ao seu novo lar, junto à encantadora Conceição: sim! A Lagoa, que onde tudo começou há dez anos atrás... 
Abaixo, o chefe escoteiro Nicolas fazendo reparos na fibra. Gratidão! 

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Pout-en-pout aux fruits de mer

Et pour continuer à raconter de bonnes rencontres, cela s'est accompagné d'un beau plat typique des Îles de la Madeleine, préparé avec amour par notre amie Nathalie, le dernier jour du 14/07.
C'était délicieux!


Pout-en-pout aux fruits de mer



Marina (@marinadomaroficial), Nathalie (La Fille à Bord), Nathalie (@natvillasboas), Everton "Camarão" avec petit Pietro et Thom (@veleiroguaraescola).


1) Pour en savoir plus sur les Îles de la Madeleine, visitez
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ilhas_da_Madalena

2) Pour une ricette, visitez
https://www.ricardocuisine.com/recettes/4095-pot-en-pot-des-iles-de-la-madeleine


Heim!?

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Ah, mar... o mais fascinante são as pessoas.

Querido diário,

Já faz um tempo que não contamos nenhuma história por aqui. Talvez porque contar sobre quarentenas, ou ciclones, ou qualquer outro tipo de experiência desta magnitude, seja algo corriqueiro demais neste incrível ano de 2020.
Então, neste retorno ocasional, decidimos narrar algo realmente fascinante que aconteceu conosco ontem: conhecer pessoas incríveis!
O Fábio, a Ana e a Maria Eduarda moram há 3 anos a bordo do seu veleiro, o Novvueu (@veleiro_novvueu), um Multichine 36 que teve sua construção concluída por eles próprios.
A Nathalie ("La Fille à Bord" no Facebook) atravessou o Atlântico e percorreu a costa leste das américas até chegar à nossa base.
E a também Nathalie mora na Ilha de Santa Catarina e está a procura do seu novo barco.
Muito obrigado Fábio, Ana, Maria Eduarda, Nathalie e Nathalie. Amamos conhecê-los! :)

Os aventureiros Ana e Fábio, do veleiro Novvueu, seguindo a desbravadora Nathalie em meio à Mata Atlântica

Em meio à "Expediçao Clorophila", percorrida ao longo de 130 metros de paisagens vislumbrantes 

 Ao retorno, os pássaros lembram que é chegada a hora de voltarmos aos nossos ninhos...


Os expedicionários Nathalie, Nathalie, Rita, Ana, Thom e Fábio.
A Maria Eduarda e a Isadora estavam envolvidas demais em suas "plantações", rs

Bons ventos e até breve, amigos!

Thom, Rita e Isadora
@veleiroguaraescola

terça-feira, 12 de maio de 2020

Notificação de Desembarque

Caro(a) leitor(a),

Notificamos, com pesar e profundo reconhecimento, o desembarque da nossa honrosa tripulante Maria Goretti Simon. O veleiro ao qual tripulava chama-se VIDA, e por algumas ocasiões especiais, pudemos contá-la também a bordo do pequeno Guará.
Goretti lutou bravamente uma tempestade duradoura, antes do seu desembarque. Que ela receba, agora, o digno acolhimento e condecoração.
Bravo Zulu, Maria Goretti!

A "maruja" Maria Goretti com blusa azul, há 3 anos atrás, sentada ao lado do Vovô Vande

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Em terra, ou no mar... o importante é navegar!

Querido Diário de Bordo,

A vontade de viver no mar sempre foi muito grande. Mas... junto com esta vontade, aquele receio da falta do espaço e das facilidades da vida em uma casa sempre foi uma inquietação.
Antes de zarparmos, planejamos construir uma casa, uma base, bem pertinho do ancoradouro. Um porto seguro, aquele ponto de chegada que coincide com o ponto de partida, quando se desenha um círculo. Aquele aconchego de um Lar, que nos recebe de volta depois de uma longa viagem. Porque é bom partir... mas também é muito bom voltar pra casa.
Começamos a construir a base do zero. Sem rua de acesso, sem energia elétrica, apenas a terra e a água da pequena nascente na descida da montanha. Abrimos uma pequena rua, construímos os alicerces e, sob duas pequenas lajes de concreto, decidimos morar. À Luz de Velas.
"Qual é o mínimo que precisamos para sobreviver?" - foi a pergunta motora. Tínhamos água. Tínhamos um pequeno painel solar de apenas 20W, e uma boa bateria de 115Ah. Tínhamos energia! Pelo menos, o suficiente para acendermos algumas luzes, e acionar (com muita moderação), o inversor que pegamos emprestado do Guará. "-Ah, mas banho frio... não dá!" -foi a primeira exigência, resolvida com um aquecedor a gás com ignição à pilha. E já tínhamos banho quentinho!
Mas... "-Ah... lavar roupa na mão... não dá!"? E adquirimos um pequeno gerador a gasolina com motor 2 tempos. E já tínhamos energia para a máquina de lavar! "-Tá, mas... e a geladeira!?" Bem, esta não tinha solução imediata. O painel solar era pequeno demais para suprir a demanda da grande geladeira. Ficamos uns bons meses comendo carne fresca do Nosso Açougue e comprando alimentos não perecíveis. Foi uma ótima adaptação à vida a bordo! Ih, parece que revelei o real motivo da compra do açougue - rsrs (brincadeirinha!)
Foi um período bem gostoso, pois aprendemos sobre alguns limites bem importantes para nós.
Nossas idéias sobre a casa sempre permearam um barco, e a vida sustentável ao seu entorno. Abaixo, registramos algumas fotos destes momentos lindos que vivenciamos:


No atelier Luz de Vela, dois beliches encaixados entre as pedras lembram os leitos de um barco. Ao alto, à esquerda, a bateria ligada ao painel solar.



Uma pequena abóbora nascida espontaneamente na composteira de adubo orgânico. Ver o lixo, ao ser tratado com amor e respeito, se transformar novamente em alimento, foi uma grande lição de vida.


Aulas de matemática da Isadora, na "Escolinha do Professor Papai". Ela adora e pede pelas atividades, diariamente.


As preferidas aulas de artes com a mamãe.


Aqui o pluviômetro da aula de ciências: acessamos a meteorologia para verificar a previsão de chuva, a medimos e depois acessamos os índices pluviométricos da região para constatar a medição correta. Bingo!

Amigos leitores, espero que tenham gostado da postagem de hoje. Ela não foi exatamente sobre a vida no mar. Foi um pouco sobre quem nos tornamos ao viver nele /)/)

Amavelmente,

O capitão.