domingo, 16 de agosto de 2020

"Só se vê bem com o coração."

"O essencial é invisível aos olhos."

Caro diário,

Esta frase é uma das minhas preferidas. Ela é atribuída ao Pequeno Príncipe, um jovenzinho que morava em um planeta solitário e que, um dia, decidiu deixar sua amada rosa sob uma protegida redoma de vidro e encorajou-se a viajar.

Bem, na verdade, a frase não é do principezinho. É do Antoine, o seu autor. Eu não o conheci muito bem, mas acho que ele era um cara bem legal. Foi piloto de aviação comercial, do correio francês. E ele deve ter vivido cada coisa...

Pois bem, na verdade, eu comecei a escrever estas "viagens", mas eu queria mesmo era falar sobre a luz da vela. É, sim, ontem a noite faltou luz aqui na base e eu rezei para ela não voltar, rs. Lembrei de quando viemos morar aqui, não tinha luz elétrica. Até tinha um pequeno painel solar, mas usamos muita luz de vela. Até hoje, mantemos uma sala sem energia elétrica. É onde estou escrevendo agora.

Sabe... eu acho que quando tem muita luz, a gente percebe muito o exterior. Ah, e como é lindo! O sol, como brilha... a cor do mar, às vezes azul petróleo, às vezes verde como a mata... a cor do céu, de azul celeste à vermelho fogo, é estonteante. As cores das flores, das pessoas.... as roupas, as maquiagens, as construções, as máquinas... fascinam!

Mas aí... a luz se vai e, se não usarmos a energia elétrica, vem o crepúsculo. E a gente passa a ver outras coisas, que estão dentro. Ah, como é lindo! Às vezes, encontramos tanta beleza... outras tantas vezes, nem tanta assim. E é sempre lindo, esse olhar pra dentro, esse auto-encontro. Afinal, "só se vê bem com o coração" mesmo, né!?

E então... se a gente acende uma vela... vemos mais ou menos o que está fora, mais ou menos o que está dentro. Parece que a gente fica ali, em transe, sendo inteiros: vendo um pouco dentro, um pouco fora... se situando... caminhando devagar... planejando nossas ações, com cuidado, para não tropeçar. Administrando um recurso mínimo, planejado, que nos conduz à ação, sem exagero. Só o suficiente. Quando como navegamos com o vento, com os recursos necessários, nem mais, nem menos. Se ele sopra mais forte, aproveitamos o seguimento. Se sopra mais fraco, mantemos o rumo, nos aperfeiçoamos, para fazer o melhor com o que temos. Se ele acaba, esperamos. Olhamos para dentro, arrumamos nosso barco, esperamos, como na escuridão.

Ah... como é bom acender uma vela. Ou... ascender uma. De um jeito ou de outro, a gente acaba vendo com o coração mesmo, já que "o essencial é invisível aos olhos".

Em um inesperado jantar à luz de velas...


...o pedido não poderia ser outro quando a luz voltou: "-pode apagar, por favor!?" :)

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