A vontade de viver no mar sempre foi muito grande. Mas... junto com esta vontade, aquele receio da falta do espaço e das facilidades da vida em uma casa sempre foi uma inquietação.
Antes de zarparmos, planejamos construir uma casa, uma base, bem pertinho do ancoradouro. Um porto seguro, aquele ponto de chegada que coincide com o ponto de partida, quando se desenha um círculo. Aquele aconchego de um Lar, que nos recebe de volta depois de uma longa viagem. Porque é bom partir... mas também é muito bom voltar pra casa.
Começamos a construir a base do zero. Sem rua de acesso, sem energia elétrica, apenas a terra e a água da pequena nascente na descida da montanha. Abrimos uma pequena rua, construímos os alicerces e, sob duas pequenas lajes de concreto, decidimos morar. À Luz de Velas.
"Qual é o mínimo que precisamos para sobreviver?" - foi a pergunta motora. Tínhamos água. Tínhamos um pequeno painel solar de apenas 20W, e uma boa bateria de 115Ah. Tínhamos energia! Pelo menos, o suficiente para acendermos algumas luzes, e acionar (com muita moderação), o inversor que pegamos emprestado do Guará. "-Ah, mas banho frio... não dá!" -foi a primeira exigência, resolvida com um aquecedor a gás com ignição à pilha. E já tínhamos banho quentinho!
Mas... "-Ah... lavar roupa na mão... não dá!"? E adquirimos um pequeno gerador a gasolina com motor 2 tempos. E já tínhamos energia para a máquina de lavar! "-Tá, mas... e a geladeira!?" Bem, esta não tinha solução imediata. O painel solar era pequeno demais para suprir a demanda da grande geladeira. Ficamos uns bons meses comendo carne fresca do Nosso Açougue e comprando alimentos não perecíveis. Foi uma ótima adaptação à vida a bordo! Ih, parece que revelei o real motivo da compra do açougue - rsrs (brincadeirinha!)
Foi um período bem gostoso, pois aprendemos sobre alguns limites bem importantes para nós.
Nossas idéias sobre a casa sempre permearam um barco, e a vida sustentável ao seu entorno. Abaixo, registramos algumas fotos destes momentos lindos que vivenciamos:
No atelier Luz de Vela, dois beliches encaixados entre as pedras lembram os leitos de um barco. Ao alto, à esquerda, a bateria ligada ao painel solar.
Uma pequena abóbora nascida espontaneamente na composteira de adubo orgânico. Ver o lixo, ao ser tratado com amor e respeito, se transformar novamente em alimento, foi uma grande lição de vida.
Aulas de matemática da Isadora, na "Escolinha do Professor Papai". Ela adora e pede pelas atividades, diariamente.
As preferidas aulas de artes com a mamãe.
As preferidas aulas de artes com a mamãe.
Aqui o pluviômetro da aula de ciências: acessamos a meteorologia para verificar a previsão de chuva, a medimos e depois acessamos os índices pluviométricos da região para constatar a medição correta. Bingo!
Amigos leitores, espero que tenham gostado da postagem de hoje. Ela não foi exatamente sobre a vida no mar. Foi um pouco sobre quem nos tornamos ao viver nele /)/)
Amavelmente,
O capitão.





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