"Todo navegador tem que começar remando" - Amyr Klink
Bem... assim fiz.
Ao chegar em Brasília, comecei a sentir muita falta do mar. Daquela umidade salgada que a gente respira na beira da praia, sabe!?
Aí, achei os clubes do Lago Paranoá. Me chamou a atenção o Remo Brasília, no clube Minas, bem ao lado do meu trabalho. Fiquei feliz pela oportunidade de retomar as aulas de remo, que fazia em Florianópolis. Esta se transformou na minha atividade do meio dia. Desvendar cada recorte do lago, conhecer as florzinhas que nascem nas margens, procurar capivaras, entender as atividades de pesca na água doce, passaram a ser para mim um hobby.
Mas... depois de 30 minutos remando, quase sempre, dava de cara com um vento leste-nordeste, que me fazia sentir saudades da querida Conceição, a Lagoa. Foi aí que fui atrás de um veleiro, pequeno, e apareceu o "Isadora". Não houve nenhuma dúvida quanto ao nome do barco.
Com uma gentileza sem precedentes, a equipe do Remo Brasília não apenas me deixou guardar o barco no clube, como foi buscá-lo pra mim. O único veleiro, então, no meio dos barcos a remo.
Cada vez que o Isadora vai pra água, a curiosidade dos remadores encanta. Aos poucos, os experientes "monstros" da água pesada, vão aprendendo a velejar também. Ajuda a entender melhor esta relação entre o homem - seu barco - seu ambiente.
Tenho remado pouco agora, preferindo a amizade do vento, que em geral incomoda os incansáveis remadores. Quando tem vento e todos estão nas máquinas, treinando em terra, o Isadora colore o lago, com toda sua alegria. E vice-versa.
Nesta semana chegaram alguns atletas que irão correr as provas da Rio 2016. Eles treinam na água doce porque é mais pesada, menos densa do que a salgada (a flutuabilidade do barco é menor). Aos nossos atletas muito sucesso nas provas!
Hoje a faina foi a limpeza do barco, casco, convés, costado, tudo brilhando. Uma boa forma de ir vivendo no "mar", ainda que bem longe dele...
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