quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Diário de Bordo

"Acordamos com bonito sol e agradável aragem. Tomamos café, abastecemos 5 litros de óleo diesel náutico Verana e misturamos o otimizador, que quebra as partículas de água, aumentando assim sua vida útil. Um veleiro usa pouco motor, por isso o cuidado com a durabilidade do combustível no tanque. Esta quantidade nos permite uma autonomia navegar a uma distância aproximada de 8 milhas náuticas, considerada a regra do 1/3 (1/3 de combustível para ir, 1/3 para voltar e 1/3 para reserva). Nosso destino era Enseada da Fortaleza, distante 6MN do Saco da Ribeira, que possui ancoradouros nas praias do Lázaro e da Fortaleza. Uma navegação estimada em 2h, considerando pouco vento e uso do motor até a Ponta Grande, na saída da Enseada do Flamengo. O vento soprava sudeste.
Ligamos a Tinker Bell para o primeiro teste e funcionou muito bem, de fato a querida fada cumpriu seu papel. Uma tripulante a mais no leme, enfim!
Ao sairmos da Enseada do Flamengo, dobrando a Ponta Grande, já identificamos ondas de até 2m de altura, com vagas de duração de 15s aproximadamente, que arrebentavam nas pedras. Com tudo em ordem a bordo, devidamente abastecidos, motor funcionando e todo pano, seguimos em frente. Experimentamos, mais uma vez, a sensação do enjôo a bordo. A primeira a "chamar o Hugo" foi a Rita, logo seguida de mim. Quem pensa que comandante não enjoa, engana-se! É algo que varia muito em cada um. Em meio às ondas, que por vezes cobriam a linha do horizonte, a Isadora mamava e o Vovô Vande olhava ao longe, os dois com estômago firme. "-É muito legal navegar nessas ondas!" - disse a imediata Rita. É uma pena que a gente enjoe. Foi  muito bom ouvir isso, porque o enjôo a bordo é normal e conviver com condições de mar não ideais fará cada vez mais parte das nossas vidas. É engraçado isso, porque antes de nascer, a gente fica girando na água o tempo todo e adora. Depois, se acostuma com a terra firme e fica enjoado - rs.
Rumamos à Praia do Lázaro, mas como é pouco abrigada, buscamos aproximação da Praia da Fortaleza. Mesmo assim, as grandes ondulações de sudeste entravam direto na Enseada, tornando as ancoragens muito desagradáveis em qualquer uma das praias. Compartilhamos, então, uma decisão importante, misturada com alguma frustração: voltarmos. Era a melhor opção.
Ancoramos então na Praia do Flamengo, na enseada do mesmo nome, já bem próxima ao Saco da Ribeira. Ali ficamos, em paz e tranquilos, durante o restante do final de semana.
Apesar do frio, o banho foi marinheiro. A Isadora voltou ao seu baldinho, quentinho. Ainda coube nele, e adorou!
Jantamos o Carreteiro Guará do vovô, embalados pelos contos da aventura do mar grosso que enfrentamos pela manhã. Cada um tinha visto uma onda maior. Delícia de momento...

Depois de um dia de mar grosso, a gente fica assim: acabados(!?)
23º51'30.64"S    045º10'96.80"W

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