Se você é novo(a) por aqui, então eu vou contar rapidinho que criei este blog para registrar alguns sentimentos, idéias, planos e ações de uma viagem que decidi fazer há alguns anos atrás. Naquele dia, há 5 anos e meio, com apenas conhecimentos básicos sobre navegação marítima, eu resolvi viajar pelo mundo com o meu veleiro. Mas eu não tinha um veleiro. Nem um plano. Só um sonho e uma data para partir.
Desde aquele dia, a minha vida mudou. Ah, eu fiz um plano... mudei de cidade, de trabalho, fiz novas amizades, fortaleci outras, enfraqueci outras tantas... minha vida mudou.
Bem, eu comecei a construir uma casa perto do mar. Perto do barco. Ah, sim, eu comprei um barco. Achei que seria bom para o plano, rs. Mas, sobre a casa, a construção, eu tenho algo a dizer. Algo que aprendi com o Sr Luiz, o pedreiro. Ele é um homem determinado. Por dias, bem mais do que eu. Agradeço a ele por aturar o mau humor de um pequeno homem do mar que quer viajar por aí e tem que aturar colunas, vigas, paredes e telhados sendo construídos com a suposta intenção de mantê-lo ali, às margens do seu sonho, a admirar a linda vista de onde ele queria estar.
O Seu Luiz, rs. "Tá faltando cimento", "tá faltando prego", "preciso de um vale pra gasolina", e eu me contendo em responder "preciso tirar as cracas do barco". Mas o Seu Luiz é um cara muito legal.
Ah, sim, a lição do andaime: ele foi rebocar uma parede muito alta, e começou a planejar a construção de um andaime de madeira. Nesta hora, eu "viajei" com ele. Ele não gosta de deixar as coisas para trás. E nem eu. E enquanto ele planejava como faria para rebocar o beiral do telhado, lá em cima, eu me via planejando minha viagem. Aí ele foi montando, escoras, ripas, tábuas, pregos, marteladas, e foi indo. A cada nova etapa, mais um andaime. Andaime sobre andaime. Aí ele ficou agoniado. "Não vai dar pra colocar mais um aqui. Vou ter que deixar pra depois a parte de cima. Vou precisar de escoras maiores. Com estas aqui, vai ficar muito arriscado" - disse.
Voltei para dentro de mim e refleti sobre minhas angústias. As angústias de todo um esforço que parece não estar indo na direção correta. Como o de um veleiro que, para buscar mares mais calmos, sai demais do seu rumo e aumenta o seu percurso. Mas no meio deste trajeto, enfrenta tempestades que, inesperadamente, surgiram. "Eu queria estar rebocando o meu telhado" - pensei. Mas considerei que, assim como os pedreiros, somos construtores dos nossos caminhos. E que, para lograr êxito, precisamos reconhecer que naquele momento o nosso andaime não está forte o suficiente para nos suportar para cima. E precisamos descer... planejar melhor, em segurança. Buscar recursos, alternativas, sem perder o objetivo de vista. Porque no final, a gente não quer ver aquela pontinha, lá em cima, que ficou por fazer. E a gente segue.... indo, voltando... arrumando... ressignificando.
Eu demorei para escrever porque estava numa tempestade em terra firme. Uma dessas, que você já deve ter passado. E numa tempestade, tudo parece dar errado. Aquele cabo solto, aquela peça enferrujada que você deixou pra consertar depois... na hora do tranco, tudo arrebenta. Mas você enfrenta. E se for inteligente, e suficientemente humilde, desce do andaime.
A casa está ficando muito bonita... vai ser bom voltar pra cá, daqui há alguns anos.
Depois eu mostro uma foto nossa na construção do Seu Luiz.
Au revoir,
Thom.
Lá em cima, à direita, "a missão" a completar.
Estágio atual da base - fotografia de hoje.


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