Amanhecemos com uma chuva fina, que permaneceu conosco durante o dia todo. A Isadora e a Rita já estavam embarcadas há três dias sem pisar em terra, plenamente acostumadas ao balanço do mar.
Ao meio dia, resolvemos enfrentar a incessante garoa para almoçar no restaurante da Dona Telma, que também atende pelo canal 16 do rádio VHF ou pelo telefone (24)9218-1771.
Enchemos o bote, que está com um vazamento na proa, e desembarquei com o Vovô Vande até a praia. Voltei para o barco e embarcamos a Rita e a Isadora. A pequena foi na cadeirinha do carro, com um cobertor por cima, com a Rita segurando o guarda-chuva enquanto eu remava até a praia.
Desembarcamos com grande festividade pelas poucas pessoas que estavam almoçando. Aí, aconteceu algo muito engraçado: coloquei a Isadora sobre uma mesa, virada para um casal de velejadores argentinos que ficaram muito eufóricos com o desembarque da pequena marinheira. Quando tirei o cobertor, a carinha da Isadora foi muito engraçada. Ela franziu a testa, olhou pra mim, olhou pra todo mundo e ficou estática, tentando processar tudo o que estava acontecendo. "Também - pensei. Ela estava há três dias navegando, vendo apenas nós, a cabine do barco e o mar, balançando. Daí ela pega um bote, sem saber o que é, e vai balançando mais um pouco sem ver nada. De repente, ela abre os olhinhos e vê tudo diferente: o chão não se mexe mais, tudo em volta está diferente, e as pessoas são estranhas. Entendi bem aquela carinha linda de espanto."
Passamos o dia na Enseada do Sítio Forte, abrindo mão de seguir adiante. A visibilidade estava muito ruim, não temos chartplotter e o GPS, com mau tempo, insiste em perder o sinal. Seria muito arriscado navegar em Angra, que é cheia de lajes, sem poder ver muito bem. Passamos o dia ali, jantando o que sobrou do almoço - Moqueca de peixe com lula à dorê - hummm... que delícia!
À noitinha parou de chover, e o tempo começou a limpar. Junto conosco, mais três veleiros, todos eles alugados por estrangeiros. Esta parece ser uma ótima opção, para quem quer navegar fora do seu país, sem precisar viajar com seu barco. Este serviço é chamado de charter, e é muito difundido fora do Brasil.
Amanhã retomaremos o nosso roteiro rumo ao Shopping Piratas Mall, que tem vaga para "estacionar" o barco e ir às compras. Legal, né!? Precisamos reabastecer.
O Saco do Céu ficou pra próxima..."
O Guará amarrado a uma das poitas disponíveis no Sítio Forte.
Nossos vizinhos. Bons ventos, irmãos do mar!

