"Soltar as amarras", é sempre um momento de vibração e ansiedade. Não é à toa que esta expressão é muito utilizada no dia-a-dia das pessoas. Eu lembro de quando a usava, mesmo sem ter uma relação com o mar. Nem entendia o que significava, mas dizia, como uma forma de expressar o sentimento de liberdade de algo que estava me prendendo a alguma coisa, ou situação.
Hoje, eu pronuncio com mais respeito - rs. "Soltar amarras" é algo que requer algum preparo. E, ao contrário do que pensava antes, que estaria deixando pra trás de vez alguma situação ou problema, virando a página, hoje sei que para "soltar amarras" é preciso não só estar preparado, mas disposto a levar a bagagem (e não deixá-la para trás). Esta bagagem, se refere a tudo o que precisamos levar: nosso planejamento, nossa boa vontade, nossa expectativa da chegada e, sobretudo, os recursos que precisamos ter a bordo. Água. Comida. Energia. Remédios. Coisas que, aqui na terra, encontramos na esquina. Mas lá, no mar, não temos esquinas.
Soltamos as amarras. Desfazer o nó de uma poita, ou subir um ferro, ou desatracar, é sempre uma sentimento misturado de saudade e alegria. Saudade pelo que ficou, pelo que foi vivido, e pelo que sabíamos que estava ali, mas não foi. Alegria por todo o mar de descobertas pela frente: como estará o tempo? E o vento? E o mar? E os golfinhos, virão novamente? Onde vou chegar, largar minha âncora, estará seguro? É tanta coisa...
Mas... soltamos as amarras, com destino a outro estado. Ali, do ladinho, mas outro estado. Estaríamos viajando, de barco, neste marzão de Deus! Angra dos Reis. Um lugar lindo, dos mais lindos do mundo, que já conhecíamos um pedacinho só, de outra navegada. Um lugar de águas mais tranquilas pra Isadora. Um lugar com mais lugares dentro dele, muitos, ancoragens seguras e próximas uma da outra. O que precisamos, quando não temos muito tempo para navegar mais longe. O que precisamos, por ora.
E soltamos as amarras, em um dia lindo, ensolarado. Bem descansados, bem abastecidos, bem ansiosos. Não fomos longe. Ancoramos ali, há cerca de 40 minutos adiante em nossa derrota. na Ilha Anchieta. Esta ilha que já foi presídio, que guarda encantos e histórias de dor, nos acolheu com muito carinho em sua Praia de Fora, a do Engenho, pequenininha, com uma bica de água das mais puras que já vi. Já tinha tomado banho em terra, mas tomei de novo ali, com xampú, com sabonete, com família, com tudo. A festa que a Isadora fez quando viu aquela água, nunca mais vou esquecer. Ali dormimos, ancorados, embalados pela alegria de ver o sol se pôr no nosso novo provisório quintal. "Moramos aqui"-dissemos. Só hoje, moramos aqui."
Prainha do Engenho - Ilha Anchieta - Ubatuba/SP
Mar + areia clarinha + água doce = Sorrisos!
Relax na varanda
Ih... não tem água quente no chuveiro. Que chato, heim Isadora!?
Waypoint: 23º32,127'S 045º03,801'W
Data: 16/10/2016
Distância percorrida: 3,5MN
Tempo estimado de viagem: 50min
Jantar: arroz de carreteiro (de marinheiro - rs)



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