sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Dia 3 - Da Ilha Anchieta à Enseada de Picinguaba - Ubatuba/SP

"Diário,
Neste dia a navegação foi um pouco mais longa. A cada vez que vamos, procuramos tornar o processo de ambientação ao mar o mais prazeroso possível: nada de muita distância da terra (e o medo de esquecer alguma coisa-rs), nada de ancoradouros muito mexidos para dormir, nada de longas distâncias. Em resumo... é uma vadiagem mesmo. Como tem que ser. Agradável, prazerosa, tranquila e feliz vadiagem. Sempre que possível, é assim.
Mas... quando é hora de trabalhar, todo mundo pega junto. A Isadora cuida dos peixes, a Rita cuida da Isadora, ajuda no leme e na faina a bordo; eu faço a navegação, timoneio, cuido da Isadora, faço a faina a bordo, e por aí vai. Temos nossa rotina, que procuramos levar da forma mais parecida com a nossa rotina em terra, para que a Isadora não estranhe muito. Os horários de alimentação, do banho e de dormir procuramos manter com certo rigor. Por isso, planejamos nossos roteiros de acordo com a nossa pequena capitã.
Acordamos relativamente cedo, tomamos um bom café da manhã com capuccino, pão, manteiga, mortadela e fruta, e vamos ao trabalho! Arrumar o convés, guardar tudo o que estiver solto na cabine, içar a vela principal, verificar o motor, ligá-lo, suspender o ferro e partir.
A travessia da Enseada de Ubatuba foi tranquila e muito agradável. O mar estava calmo e o vento fraco e contrário nos levaram a motorar durante um tempo. Algumas ondulações maiores e... mareamos. Primeiro a Rita, depois eu. Pura empatia. A Isadora, firme, observava tudo e alternava entre mamadas e brincadeiras, presa em sua cadeirinha de alimentação que, por sua vez, ficava presa ao suporte do dog-house.
Como estamos sem piloto automático (pois a Thinker Bell deixou de funcionar misteriosamente) desligamos o motor para almoçar tranquilamente, todos juntos sobre o azul do mar, no leve balanço das ondas e das velas folgadas.
Chegamos à Enseada de Picinguaba no início da tarde, ancorando um pouco mais afastados da praia e longe da parte mais abrigada, que estava bem ocupada por barcos de pesca, ao lado de um veleiro de aço, de uns 40 pés, um tanto mau conservado, habitado por um casal. Chamou-nos muita atenção sua bandeira francesa. De pronto, todos cumprimentamos de longe nossos novos vizinhos, que ficaram encantados com a Isadora mandando seus sorrisos, beijinhos e tchauzinhos. Foi um sentimento de muita alegria, e pensei... "puxa, estamos mesmo dando a volta ao mundo. Ainda não saímos, mas isso aqui, é muito próximo do que vamos viver lá fora". Fiquei muito feliz e abri uma cervejinha para comemorar a chegada, ainda bem gelada pelo gelo que ainda resistia na caixa.
Embarcamos no bote de apoio e fomos à praia, onde havia um restaurante. Era quase hora do jantar. Arroz, peixe, feijão e pirão foi o cardápio, devorado pela tripulação. Difícil foi manter a baixinha na cadeira depois que ela viu a pipi, o miau e o au-au.
Voltamos para o barco, tomamos banho, acompanhamos o entardecer e fomos dormir. Foi uma noite difícil, pois à noite as ondulações aumentaram e, apesar de relativamente bem abrigada, a praia arrebenta, e as marolas às vezes atravessavam o barco e o faziam balançar bastante. Alguns objetos caíram no chão enquanto a Isadora dormia sem parar, deslizando de um lado para outro em sua deliciosa caminha na proa."

A capitã e seu charmoso chapeuzinho

De olho nas lajes!

Linda barriguinha, timoneira! Esse vento... rsrs

A derrota do terceiro dia


Waypoint: 23º22,685'S  044º50,409'W
Data: 17/10/2016
Distância percorrida: 15,7MN
Tempo estimado de viagem: 3:55h
Jantar: em terra, na praia de Picinguaba (arroz, feijão, pirão e peixe frito)





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